Violência antissemita nos EUA bate recorde em 46 anos
A Liga Antidifamação (ADL) divulgou nesta quarta-feira (15) seu Relatório Anual de Incidentes Antissemitas de 2025, revelando que agressões físicas contra judeus nos Estados Unidos atingiram o maior nível desde 1979. Embora o número total de incidentes tenha caído 33% em relação a 2024, a violência direta contra a comunidade judaica não seguiu a mesma tendência.
Números alarmantes de violência
Segundo a ADL, foram registrados 203 casos de agressões antissemitas em 2025, um aumento em relação aos 196 do ano anterior. Desses, 32 envolveram armas letais, contra 23 em 2024. Pela primeira vez desde 2019, três pessoas foram mortas em ataques motivados por antissemitismo nos EUA.
Entre os casos mais graves estão:
- Um tiroteio no Museu Judaico do Capitólio, em Washington (D.C.);
- Um ataque com coquetel molotov durante um protesto em favor de reféns israelenses no Colorado;
- Um homem esfaqueado em Nova York;
- Um atentado a bomba incendiária na residência do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro (que é judeu), enquanto sua família estava dentro de casa.
Contexto global e queda em universidades
O antissemitismo não é um fenômeno isolado nos EUA. No mundo, houve um aumento de 34% nos incidentes antissemitas após o agravamento do conflito em Gaza e as tensões envolvendo o Irã. Na Europa, ataques a sinagogas, incêndios criminosos e esfaqueamentos levaram a investigações antiterroristas e reforço da segurança para comunidades judaicas.
Já nas universidades americanas, a situação foi oposta: a ADL registrou 583 incidentes em campi em 2025, uma queda de 66% em relação aos 1.694 casos de 2024. Os incidentes ligados a protestos anti-Israel caíram 83%.
Críticas e alertas sobre normalização do ódio
"Quando a maré baixa, o que resta são as coisas pesadas demais para serem levadas pela corrente." — Oren Segal, vice-presidente sênior da ADL para contra-extremismo e inteligência.
Segal alertou que a redução nos números não deve ser interpretada como progresso. Segundo ele, o antissemitismo continua normalizado em discussões públicas e redes sociais, com judeus sendo alvo de assédio, agressões e perseguições 17 vezes por dia, em média.
Principais focos de violência nos EUA
As maiores concentrações de incidentes ocorreram em grandes áreas metropolitanas:
- Nova York: 1.160 incidentes (90 agressões);
- Condado de Los Angeles: 398 incidentes;
- Nova Jersey (norte): região com alta incidência.
Somente a cidade de Nova York concentrou 860 incidentes, o maior número registrado em uma única localidade.
Dados preliminares do FBI mostram contradições
Dados preliminares analisados pela Axios indicam que crimes de ódio contra judeus caíram em 2025, enquanto outros tipos de crimes de ódio — como os contra latinos e sikhs — atingiram recordes. O especialista em crimes de ódio Brian Levin alertou que os números finais podem ser revisados para cima, à medida que mais departamentos de polícia enviam seus relatórios.
A ADL considera como incidentes antissemitas não apenas crimes de ódio (violência motivada por raça, religião ou origem), mas também casos de assédio verbal e discursos em campi universitários. A organização já enfrentou críticas no passado por incluir manifestações em universidades em seus levantamentos.