A Declaração de Independência dos Estados Unidos, redigida por Thomas Jefferson, é um dos documentos mais influentes da história moderna. Suas frases icônicas, como "todos os homens são criados iguais", ecoam até hoje. No entanto, por trás de sua fama, há uma história complexa e pouco conhecida sobre sua origem, edição e impacto inicial.

A gênese do documento: influências e contribuições

Embora Jefferson seja creditado como o principal autor, a Declaração não foi obra exclusiva de sua pena. O texto final foi uma fusão de ideias de vários documentos e autores. Jefferson baseou-se fortemente no Projeto de Lei de Direitos da Virgínia, de George Mason, em seu próprio Projeto de Constituição da Virgínia e na Resolução de Independência proposta por Richard Henry Lee em junho de 1776.

Além disso, a Declaração incorporou elementos de dezenas de declarações locais e manifestos regionais, como documentou a historiadora Pauline Maier em sua obra American Scripture. Pode-se dizer que o documento nasceu do solo da Virgínia, regado pelas tempestades políticas de Massachusetts.

Edições e "mutilações": o Congresso reescreve a história

Os delegados do Congresso Continental sabiam que o rascunho de Jefferson tinha lacunas e pontos incompletos. Embora não tenham adicionado novas seções, fizeram edições significativas. Jefferson descreveu essas alterações como "mutilações", mas, na realidade, foram cortes judiciosos que reduziram o texto em cerca de um quarto antes de sua aprovação em 4 de julho de 1776.

Curiosamente, para os delegados em Filadélfia, a decisão mais importante já havia sido tomada dois dias antes, em 2 de julho, quando o Congresso votou pela separação formal da Grã-Bretanha, do rei George III e do Parlamento. A Declaração, portanto, não foi vista como o marco histórico que as gerações futuras viriam a considerar.

O verdadeiro propósito da Declaração

O documento não foi celebrado com fogos de artifício ou leituras públicas no dia 4 de julho. As comemorações só ocorreriam nos dias seguintes, quando os novos cidadãos americanos ouviram a leitura do texto em folhetos impressos às pressas e distribuídos pelo país.

Por design, a Declaração evitou deliberadamente discutir ou sugerir o tipo de governo que as colônias deveriam estabelecer. Essa tarefa coube ao comitê liderado pelo delegado de Connecticut, Roger Sherman, que redigiu os Artigos de Confederação. O resultado foi um governo central propositalmente fraco, refletindo o receio dos estados de perder autonomia.

As questões fundamentais sobre governança foram deixadas para os próprios estados. Oito deles já haviam redigido e adotado constituições em 1776. Até mesmo Jefferson preferia estar em Williamsburg, trabalhando na constituição da Virgínia, da qual já havia feito um rascunho naquele ano e cujos trechos foram reutilizados na Declaração.

Uma lista de acusações que definiu o que um governo justo não deve ser

Embora o comitê de Jefferson tenha evitado especificar como um governo nacional deveria ser estruturado, a lista de 28 acusações contra o rei George III na Declaração deixou claro como um governo justo não deveria agir. Por implicação, o documento revelou os princípios de um governo que representasse, de fato, o consentimento dos governados.

A Declaração de Independência não foi apenas um ato de separação política; foi um manifesto sobre os limites do poder governamental e a soberania popular.

Fonte: Reason