Advogados resistentes à tecnologia podem enfrentar processos por negligência

A profissão jurídica sempre foi associada a ambientes tradicionais, como salas de audiência com painéis de madeira e bibliotecas repletas de livros encadernados em couro. A imagem de um advogado usando aplicativos ou chatbots parecia improvável — até a pandemia, quando o "Advogado Gato" se tornou viral em videoconferências do Zoom. O episódio mostrou, de forma cômica, o que acontece quando profissionais são obrigados a usar tecnologia com a qual não estão familiarizados.

Os erros cometidos com IA reforçam essa resistência. Em 2023, um advogado de Massachusetts foi punido por incluir casos jurídicos inexistentes em um documento judicial, gerados pelo ChatGPT. Na Califórnia, outro profissional foi multado em US$ 10 mil pelo mesmo motivo. Esses incidentes deixam claro por que muitos advogados evitam ferramentas de IA, temendo consequências.

Uma peculiaridade da profissão jurídica pode forçar a adoção de IA

No entanto, uma característica única da advocacia pode obrigar os profissionais a adotar a tecnologia. A American Bar Association (ABA) emitiu uma orientação indicando que advogados que não usarem IA podem ser considerados incompetentes perante a lei. A mesma lógica pode se aplicar a outras profissões, como contabilidade e medicina, acelerando a adoção de IA mesmo em setores céticos.

Nota importante: Este texto é baseado em pesquisas e conversas com advogados, mas não constitui aconselhamento jurídico. Profissionais devem consultar suas associações de classe para entender as implicações dessas mudanças.

O que mudou na definição de competência profissional?

Advogados são obrigados a cumprir deveres fiduciários, que incluem manter a confidencialidade, agir com competência e cobrar honorários razoáveis. Até recentemente, isso significava evitar pesquisas jurídicas excessivas ou despesas desnecessárias. Agora, a IA pode redefinir o que é considerado competente.

Ferramentas de IA generativa permitem criar conteúdo rapidamente, mas também aumentam o risco de erros. A ABA já alertou que advogados que não usarem essas tecnologias podem ser considerados negligentes.

"Com a capacidade de gerar conteúdo aparentemente humano em resposta a comandos, as ferramentas de IA generativa oferecem oportunidades significativas, mas também exigem que os profissionais sejam capazes de supervisionar e validar seus resultados."

O futuro da IA na advocacia e em outras profissões

A resistência à tecnologia não é exclusividade dos advogados. Contadores e médicos também relutam em adotar IA, mas a pressão por eficiência e redução de custos pode mudar esse cenário. Empresas e clientes já esperam soluções mais rápidas e baratas, e a IA pode ser a resposta.

A adoção forçada de IA pode trazer benefícios, como:

  • Redução de custos para os clientes;
  • Automação de tarefas repetitivas;
  • Melhoria na precisão de documentos jurídicos;
  • Maior acessibilidade a serviços legais.

No entanto, os riscos também são significativos. Erros em sistemas de IA podem levar a processos judiciais, multas e danos à reputação. Por isso, a transição deve ser feita com cautela e supervisão adequada.

Conclusão: a IA veio para ficar

A tecnologia não espera. Profissionais que resistirem à adoção de IA podem enfrentar consequências legais e financeiras. A pergunta não é mais "se" a IA será adotada, mas "quando" e "como" isso acontecerá. Aquelas profissões que demorarem a se adaptar podem ficar para trás.