O Conselho de Licenciamento Médico de Utah (Utah Medical Licensing Board) exigiu a suspensão imediata de um experimento pioneiro no estado, que utiliza inteligência artificial para renovar receitas médicas sem a supervisão de um médico.
A decisão foi comunicada em uma carta publicada na última sexta-feira (14), na qual o conselho afirmou ter tomado conhecimento do projeto piloto — conduzido pela startup Doctronic — apenas após seu lançamento. Segundo o documento, a iniciativa representa um risco potencial à população e não foi debatida previamente com os órgãos reguladores.
"A continuidade desse acordo sem a consulta ao Conselho Médico pode colocar em risco os cidadãos de Utah e permanece como uma grande preocupação da diretoria", afirmaram os membros do conselho. "É a forte recomendação do Conselho de Licenciamento Médico de Utah que esse programa seja imediatamente suspenso, até que novas discussões sejam realizadas."
O piloto em questão permitia que pacientes renovassem receitas de medicamentos controlados e não controlados por meio de uma plataforma digital, sem a necessidade de uma consulta presencial ou avaliação médica direta. A Doctronic, empresa responsável pelo sistema, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre a decisão do conselho.
Especialistas em saúde e ética médica já haviam levantado questionamentos sobre a segurança e a eficácia de sistemas de IA em procedimentos que envolvem prescrições, destacando riscos como erros de diagnóstico, interações medicamentosas não identificadas e falta de personalização no tratamento.
O caso em Utah reforça o debate global sobre a regulamentação de tecnologias de IA na área da saúde, especialmente em situações que impactam diretamente a segurança dos pacientes. Enquanto alguns defendem a inovação como forma de otimizar processos, outros alertam para a necessidade de supervisão humana rigorosa em decisões médicas.