A corrida armamentista envolvendo armas a laser entrou em uma nova fase industrial, com países rivais expandindo suas capacidades e mercados estratégicos. Recentemente, Israel enviou uma versão de seu sistema de laser de alta potência Iron Beam, com capacidade de 100 kW, aos Emirados Árabes Unidos (EAU) para auxiliar Abu Dhabi na defesa contra centenas de mísseis e drones lançados pelo Irã desde o início da Operação Epic Fury, conduzida pelos Estados Unidos.
Segundo o Financial Times, essa é uma das primeiras demonstrações de cooperação militar significativa entre Israel e os EAU desde os Acordos de Abraão de 2020. Um oficial regional destacou que a parceria reforça "o valor de ser amigo de Israel". No entanto, ainda há poucas informações públicas sobre o desempenho do Iron Beam no território emiradense.
Enquanto isso, em 7 de maio, o Defence Blog publicou imagens de um veículo equipado com um laser de alta potência em Dubai, identificado como possivelmente compatível com o sistema chinês Guangjian-21A, apresentado pela primeira vez na Feira Aérea de Zhuhai em 2022. Não houve anúncio oficial sobre a exportação do sistema pela China nem confirmação de sua chegada aos EAU por parte de Abu Dhabi.
A presença de armas a laser nos EAU não surpreende. O governo local já havia manifestado interesse em adquirir sistemas de energia dirigida por meio de parcerias estratégicas e até mesmo desenvolvê-los internamente. No entanto, uma terceira frente passou despercebida: os EAU também estão em processo de aquisição de um sistema de laser americano.
Em 15 de abril, uma notificação ao Congresso dos EUA revelou que Abu Dhabi solicitou a compra de 10 sistemas FS-LIDS (Fixed Site-Low, Slow, Small Unmanned Aircraft Integrated Defeat Systems) por US$ 2,1 bilhões. O sistema, projetado para combater drones, terá sua arquitetura de controle e comando (C2) adaptada para integrar um laser não identificado, adquirido separadamente pelos EAU por meio de vendas comerciais diretas.
Um mercado global em expansão
Os recentes eventos nos EAU ilustram um fenômeno global: a proliferação de armas de energia dirigida em diferentes blocos geopolíticos, muitas vezes operando no mesmo teatro de guerra. Em setembro de 2025, analisamos que o mundo estava se aproximando de um ponto de inflexão no desenvolvimento dessas tecnologias. Na ocasião, a China revelou seu laser naval LY-1 em um desfile militar em Pequim, os EUA entregaram seus primeiros veículos de infantaria equipados com lasers ao Exército americano, a França encomendou um novo demonstrador de laser antiaéreo e a Índia testou seu Sistema Integrado de Defesa Aérea com componentes de energia dirigida.
Naquele momento, concluímos que o vencedor da corrida armamentista não seria definido pela superioridade tecnológica, mas pela vontade política de transformar esses sistemas em realidade operacional. Os eventos recentes nos EAU sugerem que essa vontade não apenas existe, mas está acelerando a adoção global de armas a laser, levantando novas questões sobre como essas tecnologias redefinirão os campos de batalha nas próximas décadas.
Três sistemas, dois blocos, um cliente
Os EAU agora contam com pelo menos três sistemas de laser em diferentes estágios de integração:
- Iron Beam (Israel): Sistema de alta potência (100 kW) para defesa antiaérea e antimíssil.
- Guangjian-21A (China): Laser montado em veículo, possivelmente já operacional em Dubai.
- Laser não identificado (EUA): Sistema integrado ao FS-LIDS, com arquitetura C2 adaptada para operações conjuntas.
Essa diversificação reflete uma tendência global: a competição entre potências rivais está impulsionando a inovação e a adoção acelerada de armas de energia dirigida, mesmo em regiões de alta tensão geopolítica.
"A corrida armamentista de lasers não é mais uma questão de 'se', mas de 'quando' e 'como' essas tecnologias serão implantadas em larga escala."