Pesquisa alerta para risco iminente na aquicultura mediterrânea
As emissões de gases de efeito estufa estão aquecendo os oceanos e tornando a água do mar mais ácida, ameaçando diretamente a criação de moluscos como ostras e mexilhões. Comunidades costeiras dependem economicamente desses organismos, mas os impactos das mudanças climáticas ainda não haviam sido projetados com precisão.
Estudo inovador simula condições reais de aquicultura
Pesquisadores desenvolveram um sistema experimental pioneiro na lagoa de Thau, na costa francesa do Mediterrâneo, onde a criação de moluscos é vital para a economia local. Ao contrário de estudos anteriores, que usavam condições ideais em tanques, esta pesquisa expôs ostras e mexilhões a variações reais de temperatura, acidez e nutrientes, simulando projeções climáticas para 2050, 2075 e 2100.
Resultados alarmantes para a produção de mexilhões
Os dados revelam um cenário preocupante:
- Mexilhões: Mortalidade de quase 100% sob condições projetadas para 2050, com sobrevivência de apenas 60% nas condições atuais.
- Ostras: Redução de 7% na taxa de sobrevivência e queda de 40% no crescimento até 2100.
"Os mexilhões têm uma tolerância térmica menor que as ostras, e o limite superior já está sendo ultrapassado em algumas regiões do Mediterrâneo durante o verão, causando eventos de mortalidade em massa." — Pesquisadores do estudo
Solucões emergenciais são necessárias
Diante dos resultados, os cientistas recomendam ações urgentes para salvar a indústria:
- Realocar cultivos para águas mais frias do alto-mar.
- Desenvolver sistemas de co-cultivo com algas para aumentar a resiliência dos moluscos.
- Implementar políticas de mitigação das mudanças climáticas.
Os pesquisadores destacam que, sem intervenção, a produção de mexilhões no Mediterrâneo pode entrar em colapso total até 2050, com consequências graves para economias locais e segurança alimentar.