Justiça da Virgínia anula novo mapa eleitoral após processo irregular

A Suprema Corte da Virgínia invalidou na última sexta-feira (12) o novo mapa eleitoral proposto pelos democratas do estado, alegando que o processo não seguiu os procedimentos legais necessários. A decisão impede que o novo desenho das circunscrições seja usado nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Segundo a legislação estadual, uma emenda constitucional deve ser aprovada duas vezes pela Assembleia Geral da Virgínia: a primeira durante uma sessão legislativa regular e a segunda após um intervalo mínimo. O tribunal considerou que, embora os democratas tenham cumprido as regras, a votação ocorreu enquanto a votação antecipada já estava em andamento, o que, segundo os juízes, comprometeu o processo.

Democratas apelam à Suprema Corte dos EUA

Na segunda-feira (15), o Partido Democrata e o procurador-geral do estado, Jay Jones, entraram com um recurso na Suprema Corte dos EUA, argumentando que a decisão da Justiça da Virgínia desrespeitou a vontade popular. Em novembro do ano passado, 50,3% dos eleitores aprovaram a redistritamento, que previa um aumento de cadeiras democratas na Câmara dos Deputados federal, passando de 6-5 para 10-1 a favor do partido.

Os advogados do partido afirmaram em comunicado que "a decisão judicial anulou a vontade do povo, que ratificou a emenda ao rejeitar os distritos congressuais anteriores". Eles também alertaram para o "dano irreparável e imediato" causado pela decisão estadual.

Impacto nacional e estratégias alternativas

A derrota na Virgínia representa um revés para os democratas, que apostavam no estado para compensar as vantagens conquistadas pelos republicanos em outros lugares, como Texas e Flórida. O recurso à Suprema Corte é um último esforço para reverter a situação antes das eleições de meio de mandato.

No sábado (14), líderes democratas, incluindo o deputado Hakeem Jeffries, se reuniram para discutir possíveis alternativas, como ignorar a decisão judicial e redesenhar as linhas congressuais mesmo assim. A estratégia, no entanto, enfrenta resistência legal e política.

"A decisão da Suprema Corte da Virgínia ignorou a vontade dos eleitores e prejudica a democracia estadual. Estamos buscando todas as vias legais para garantir que a voz do povo seja ouvida", declarou um porta-voz do Partido Democrata da Virgínia.