A necessidade de dessalinização sempre foi evidente em regiões do planeta com escassez de água. No entanto, com cerca de 25% da população global enfrentando estresse hídrico extremo e condições de seca projetadas para piorar, essa tecnologia se tornou uma ferramenta indispensável para a sobrevivência em diversas geografias.
Tradicionalmente, o aumento da capacidade de dessalinização envolvia a construção de usinas costeiras caras e intensivas em energia, que utilizam o processo de osmose reversa. Nesse método, a água do mar é empurrada por membranas semipermeáveis que retêm o sal e outros contaminantes, deixando apenas água doce. Agora, startups estão revolucionando esse modelo com soluções que vão desde instalações submarinas até dispositivos portáteis para uso doméstico, ampliando o alcance da tecnologia.
Demanda global por água potável
Muitos países do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Israel, Bahrein, Kuwait e Catar — já dependem majoritariamente da dessalinização para o abastecimento municipal. Enquanto isso, regiões propensas à seca, como Austrália, Caribe e Califórnia, também adotaram a tecnologia para garantir o suprimento de água. No entanto, como destacado pela guerra no Irã, essa infraestrutura crítica está se tornando alvo de ataques militares, revelando uma vulnerabilidade crítica em um recurso vital para centenas de milhões de pessoas.
Inovações que reduzem custos e impactos
Uma alternativa mais resiliente é transferir as usinas para o fundo do mar, dificultando alvos estratégicos e aproveitando a pressão natural da água para reduzir o consumo energético. Robert Bergstrom, CEO da startup OceanWell e veterano do setor, explica:
‘Tive a ideia de usar a pressão natural para operar o processo. Colocamos as membranas em um ambiente com 800 libras de pressão por polegada quadrada — ou seja, no fundo do oceano. Cada cápsula consegue produzir 1 milhão de galões de água doce por dia.’
A abordagem de Bergstrom reduz o consumo de energia em cerca de 40%, cortando o maior custo operacional do sistema: a eletricidade. As cápsulas da OceanWell mantêm uma pressão interna menor que o ambiente externo, permitindo que a água do mar flua passivamente para dentro e atravesse as membranas — semelhante ao processo em terra, mas sem a necessidade de bombas de alta pressão. Bombas compactas dentro das cápsulas então transportam a água doce por tubulações até a costa, enquanto o rejeito salino se dissipa nas profundezas do oceano.
Além de economizar energia, o método também aborda outro problema da dessalinização convencional: o impacto ambiental. Usinas tradicionais despejam o rejeito salino concentrado na superfície do oceano, prejudicando ecossistemas marinhos. Elas também danificam organismos, grandes e pequenos, ao prendê-los em grades de captação ou sugá-los para dentro das instalações — um grande empecilho para a obtenção de licenças, especialmente na Califórnia, onde a OceanWell está sediada.
A solução da empresa filtra organismos maiores, enquanto permite que microrganismos passem pelas cápsulas e retornem ao oceano. A startup iniciou recentemente um teste piloto para validar a tecnologia, que promete tornar a dessalinização mais sustentável e acessível globalmente.