O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) tentou obter dados de localização, histórico de atividades e outras informações pessoais de um cidadão canadense junto ao Google. A solicitação ocorreu após o homem ter feito críticas públicas ao governo de Donald Trump nas redes sociais, em decorrência do assassinato de duas pessoas por agentes federais de imigração em Minneapolis, no início deste ano.

O nome do canadense não foi revelado, mas seus advogados afirmam que ele não pisou nos EUA há mais de dez anos. Michael Perloff, advogado sênior da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Washington, D.C., que representa o homem em uma ação judicial contra o secretário do DHS, Markwayne Mullin, declarou: “Não sei o que o governo sabe sobre a residência do nosso cliente, mas está claro que não se preocupou em verificar.”

A ação judicial acusa o DHS de violar uma lei de 1930 que permite à agência requisitar registros de empresas e terceiros. Segundo Perloff, o governo estaria usando o fato de grandes empresas de tecnologia terem sede nos EUA para obter informações que, de outra forma, não estariam ao seu alcance. “Eles estão usando esse detalhe geográfico para conseguir dados que, em outras circunstâncias, estariam fora de sua jurisdição. Estamos falando sobre os movimentos físicos de uma pessoa que vive no Canadá.”

A estratégia do DHS levanta questões sobre a extensão do poder das agências federais para acessar dados de cidadãos estrangeiros sem a devida justificativa ou fiscalização adequada.