Um alto funcionário da administração Trump informou, no domingo (21), o governo iraniano sobre a iminente operação militar dos EUA para 'guiar' navios pelo Estreito de Ormuz. A mensagem privada, segundo fontes americanas, tinha como objetivo alertar Teerã para não interferir na ação.

Apesar do aviso, o Irã lançou uma série de ataques contra navios da Marinha dos EUA, embarcações comerciais e alvos nos Emirados Árabes Unidos na segunda-feira (22), segundo relatos.

Contexto e reações

Na terça-feira (23), o secretário de Defesa dos EUA, Erik Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, minimizaram os ataques iranianos e afirmaram que o cessar-fogo ainda estava em vigor. No entanto, autoridades americanas e israelenses sugerem que o presidente Donald Trump poderia autorizar a retomada da guerra ainda esta semana, caso o impasse diplomático persista.

Por trás dos bastidores, a advertência sobre a operação — chamada de "Projeto Liberdade" — foi transmitida no domingo, alinhada a uma publicação de Trump no Truth Social naquela noite. Hegseth declarou que os EUA estão se comunicando, tanto publicamente quanto de forma discreta, com o Irã para permitir que a operação defensiva ocorra em nome da comunidade internacional.

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, se limitou a remeter à publicação de Trump no Truth Social e não fez outros comentários.

Primeiro dia da operação e ataques iranianos

Durante o primeiro dia da operação, na segunda-feira, o Irã realizou vários ataques a navios da Marinha americana que transitavam pelo estreito, além de alvos comerciais na região e no território dos Emirados Árabes Unidos. Segundo Caine, os ataques iranianos foram classificados como "abaixo do limiar para reiniciar operações de combate em grande escala".

"Neste momento, o cessar-fogo permanece em vigor", afirmou Hegseth. Ele também declarou que os EUA esperavam "alguma agitação" no início da operação em Ormuz. "Às vezes, os Guardiões da Revolução [IRGC] tomam ações que vão além do que os negociadores iranianos gostariam. Cabe a eles contê-los e criar condições para um acordo", completou.

Tanto Hegseth quanto Caine garantiram que as Forças Armadas americanas estão prontas para retomar a guerra rapidamente, caso Trump ordene.

Impacto limitado e desconfiança do setor privado

A operação americana não resultou em um aumento significativo no fluxo de petróleo ou cargas pelo estreito nas primeiras 24 horas. O CENTCOM relatou que dois navios com bandeira dos EUA haviam passado pelo local na segunda-feira, mas nenhum na terça-feira. Hegseth afirmou que "centenas de outros navios estão se preparando para seguir", mas, até o momento, a maioria das empresas de navegação não confia nas garantias da administração de que uma rota segura foi aberta.

"Nós pedimos ao Irã que seja prudente em suas ações", declarou Hegseth.

Posição do Irã e nova escalada

Até o momento, não houve novos ataques iranianos na terça-feira. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou no X (antigo Twitter) que o país conseguiu criar "uma nova equação" com sua retaliação na segunda-feira. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com os EUA, mediadas pelo Paquistão, estão "progredindo" e pediu que a administração Trump não seja "arrastada de volta ao atoleiro por maus conselheiros".

Por outro lado, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que o Irã lançou um novo ataque com mísseis e drones contra o país na terça-feira, e os sistemas de defesa aérea responderam.

Fonte: Axios