O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, anunciou uma mudança radical na Fórmula 1: os motores V8 de alta rotação devem retornar à categoria a partir de 2030, encerrando a era dos híbridos V6. A decisão, revelada antes do Grande Prêmio de Miami, foi detalhada em entrevista exclusiva ao The Drive e promete redefinir o futuro da competição.

Por que a FIA optou pelo retorno aos V8?

Ben Sulayem destacou três fatores principais para a transição: custo reduzido, peso mais leve e maior pureza técnica. Segundo ele, o atual motor híbrido V6, em uso desde 2014, tornou-se excessivamente complexo e caro para as equipes, especialmente as de menor orçamento.

“Temos esse motor de 1,6 litro que cumpriu seu papel, mas já estamos na 14ª temporada com ele”, afirmou. “Para garantir a sustentabilidade do esporte — com custos menores, eficiência e som atraente para os fãs —, o V8 atende a muitos requisitos.”

Detalhes técnicos preliminares do novo V8

Embora ainda não sejam definitivos, os primeiros parâmetros técnicos já foram discutidos:

  • Cilindrada: entre 2,6 e 3,0 litros;
  • Potência estimada: 880 cavalos com distribuição de energia de 10% elétrica;
  • Motor a combustão: cerca de 650 cavalos;
  • Combustível: uso de combustíveis sustentáveis para alinhar com metas ambientais.

A proposta não prevê a manutenção da divisão 50/50 entre energia elétrica e combustível, como ocorre atualmente. “A eletrificação não é a única solução”, declarou Ben Sulayem, reforçando que a simplicidade e a acessibilidade são prioridades.

Impacto para equipes e fãs

A volta dos V8 deve facilitar a entrada de novas equipes na F1, reduzindo os custos de desenvolvimento e manutenção dos motores. Além disso, o som mais agressivo e a mecânica mais tradicional são esperados para agradar aos torcedores.

“Se tornarmos o motor mais simples, mais equipes poderão adquiri-lo”, explicou o presidente da FIA. “Isso democratiza o acesso e mantém a categoria competitiva.”

Próximos passos

Ainda não há data oficial para a implementação, mas a expectativa é que os novos regulamentos sejam finalizados até 2026. Enquanto isso, a discussão sobre o futuro da F1 segue em alta, com foco em equilíbrio entre inovação e tradição.