A Geely, um dos maiores fabricantes chineses de automóveis, está mais próxima de desembarcar nos Estados Unidos do que muitos imaginam. Embora marcas chinesas como BYD e CATL já tenham presença discreta no mercado americano, a Geely se destaca por sua estratégia indireta, utilizando subsidiárias e parcerias estratégicas.
Geely já tem presença nos EUA — e pode expandir
A empresa controla marcas como Volvo, Polestar e Lotus, todas com operações nos Estados Unidos. A Volvo, por exemplo, possui uma fábrica em Charleston, na Carolina do Sul, com capacidade para produzir até 150 mil veículos por ano. Atualmente, a unidade opera abaixo de 20% de sua capacidade, o que deixa espaço para uma eventual produção local de modelos chineses no futuro.
O CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, não descartou a possibilidade de fabricar veículos chineses na fábrica americana, segundo a CNBC. Além disso, a rede de concessionárias e centros de serviço da Volvo e da Polestar espalhados pelo país poderia facilitar a distribuição de novos modelos.
A Lotus, embora seja uma marca de nicho, também tem mais de 40 centros de vendas e serviços nos EUA, o que poderia ser aproveitado para a comercialização de veículos da Geely.
Zeekr: o provável caminho para os EUA
A Geely possui três marcas sob seu guarda-chuva: Geely Auto, Zeekr e Lynk & Co. Entre elas, os analistas acreditam que a Zeekr é a mais provável a desembarcar nos EUA. A marca, que se posiciona como premium, já tem presença no país, embora ainda limitada: recentemente, a Waymo começou a usar seus veículos autônomos Ojai como táxis em São Francisco.
Fora dos EUA, a Zeekr já atua na Europa Ocidental, Austrália e Ásia, oferecendo uma linha de carros elétricos de luxo, SUVs e até MPVs, que poderiam atrair consumidores americanos. Além disso, a Zeekr já tem experiência em mercados internacionais, o que facilitaria sua expansão.
Desafios e oportunidades no mercado americano
Apesar do crescente interesse dos consumidores por veículos elétricos chineses, o mercado americano ainda é resistente à entrada direta de marcas chinesas. O CEO da Ford, Jim Farley, chegou a admitir que a tecnologia, qualidade e custo dos EVs chineses são superiores aos dos fabricantes ocidentais. No entanto, ele também afirmou que a Ford tomaria medidas para manter os carros chineses fora dos EUA devido à forte concorrência que representam.
Mesmo assim, a presença indireta da Geely por meio de suas subsidiárias já é uma realidade. E, com a capacidade ociosa da fábrica da Volvo nos EUA e a crescente demanda por EVs, a entrada da Zeekr ou de outra marca da Geely no mercado americano pode estar mais próxima do que parece.
"A China está produzindo máquinas cada vez mais competitivas, e ignorar essa realidade será cada vez mais difícil para os fabricantes ocidentais."