Geração Z não é um grupo homogêneo — e os dados comprovam

A Geração Z, tradicionalmente vista como um bloco único, pode ser dividida em dois subgrupos distintos, separados pela pandemia de COVID-19. Essa divisão está redefinindo comportamentos políticos, sociais e até mesmo a confiança em instituições e marcas entre os jovens.

Dois grupos, duas realidades

Rachel Janfaza, autora da newsletter The Up and Up, cunhou os termos Gen Z 1.0 e Gen Z 2.0 para descrever essa divisão:

  • Gen Z 1.0: Formada antes da pandemia, cresceu sem o TikTok e testemunhou o movimento Black Lives Matter como parte da cultura mainstream.
  • Gen Z 2.0: Formada após a pandemia, teve a vida escolar marcada por máscaras, quarentenas e ensino remoto.

"Nenhuma outra geração na história moderna passou por uma pandemia como esta", diz Janfaza. "E nenhuma outra teve a forma de comunicação e cultura mudando tão rapidamente quanto a nossa."

Mudança política: da esquerda à direita e de volta

Amanda Edelman, do Edelman Gen Z Lab, observa que a Gen Z 1.0 se rebelou contra a direita durante o primeiro mandato de Trump. No entanto, a Gen Z 2.0 tem apresentado um forte recuo em relação ao progressismo.

Dados da pesquisa de juventude da Universidade Yale, realizada na primavera de 2025, revelam uma virada significativa:

  • 52% dos eleitores entre 18 e 22 anos favoreciam os democratas nas eleições para o Congresso.
  • No entanto, os homens dessa faixa etária foram a única exceção: eles se afastaram dos democratas.

A mudança não reflete necessariamente um conservadorismo genuíno, segundo Edelman. Trata-se mais de frustração com o status quo e um desejo de rebeldia.

Volatilidade e desconfiança nas instituições

O estudo da Yale destaca que 18% dos jovens entre 18 e 22 anos ainda estão indecisos, um percentual maior do que o de gerações mais velhas. Essa volatilidade sugere que as preferências políticas podem mudar rapidamente.

Jess Siles, diretora de comunicações da Voters of Tomorrow e membro da Gen Z 1.0, aponta que a desilusão com a democracia é um sentimento transversal na geração. No entanto, a forma como cada subgrupo expressa essa insatisfação varia:

  • Gen Z 1.0: Mais engajada em causas sociais e políticas.
  • Gen Z 2.0: Mais cética em relação às instituições tradicionais.

O que os jovens querem?

Eli Kalberer, estudante do ensino médio e membro do programa New Voters 250, destaca que os jovens buscam políticos que realmente os compreendam. Ele cita o exemplo do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, cuja popularidade entre os jovens reflete essa conexão.

"A capacidade de um partido de mostrar que está alinhado com os jovens — ou até mesmo de ser jovem — tem um impacto enorme no voto deles", diz Kalberer.

Os jovens, segundo ele, estão mais preocupados com custos de vida, faculdade e emprego do que com "guerras culturais".

Impacto além da política

A divisão na Geração Z também afeta outros aspectos da vida, como:

  • Confiança em marcas e instituições.
  • Comportamento em relacionamentos e namoro.
  • Posicionamento sobre inteligência artificial e política externa.

Tratar a Geração Z como um grupo homogêneo pode levar a estratégias equivocadas por parte de políticos, empresas e organizações.

Fonte: Axios