Um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, na Espanha, deixou dezoito passageiros americanos em quarentena obrigatória nos Estados Unidos. O episódio, considerado um dos mais graves da história recente, teve início no início de maio de 2026, quando vários passageiros apresentaram sintomas após o contato com roedores infectados.
Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da doença, que é transmitida principalmente por meio de fezes, urina ou saliva de roedores portadores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o risco global como baixo, mas a situação gerou preocupação entre passageiros e autoridades.
Laurel Bristow, pesquisadora de doenças infecciosas da Emory Rollins School of Public Health e apresentadora do podcast Health Wanted, esclareceu que o surto não justifica pânico generalizado. Em entrevista ao programa Today, Explained, ela detalhou o funcionamento do hantavírus e as medidas adotadas pelas autoridades americanas.
O que aconteceu com os passageiros?
Todos os dezoito americanos que estavam no navio foram transferidos para uma unidade de contenção na Universidade de Nebraska, o único centro público nos EUA capacitado para lidar com exposição a vírus emergentes ou patogênicos. Lá, eles recebem monitoramento médico e avaliação de uma equipe especializada.
A quarentena de 42 dias é recomendada, mas não obrigatória. Os passageiros podem optar por cumpri-la em outro local, desde que sigam as orientações sanitárias. A decisão será tomada em conjunto com a equipe médica.
Como o hantavírus é transmitido?
O hantavírus é uma família com cerca de 40 tipos diferentes, mas nem todos são perigosos para humanos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções de roedores infectados, como camundongos-de-campo (Peromyscus maniculatus), que são os principais vetores nos EUA.
Importante: Nem todos os roedores transmitem a doença. Nos Estados Unidos, os casos estão concentrados no sudoeste do país, onde esses animais são mais comuns. O surto no navio chamou atenção por envolver uma cepa diferente, típica da região andina, o que levantou dúvidas sobre a possibilidade de transmissão entre humanos.
"O risco global de hantavírus continua baixo, mas cada surto deve ser monitorado com atenção. A quarentena é uma medida de precaução para evitar a disseminação."
— Organização Mundial da Saúde (OMS)
Quais são os sintomas e tratamento?
Os sintomas do hantavírus incluem febre, dores musculares, fadiga e, em casos graves, insuficiência respiratória. Não há vacina ou tratamento específico; o suporte médico é focado no alívio dos sintomas.
Autoridades sanitárias reforçam que a prevenção é a melhor estratégia: evitar o contato com roedores e manter ambientes limpos e livres de infestações.