A Jane Street, uma das maiores empresas de negociação de alta frequência do mundo, com ativos avaliados em US$ 45 bilhões, entrou com um pedido para arquivar uma ação judicial que a acusa de ter se beneficiado de informações privilegiadas durante o colapso da Terra em maio de 2022.

Em fevereiro, Todd Snyder, administrador responsável pela liquidação da Terraform Labs, processou a Jane Street, seu cofundador Robert Granieri e dois funcionários — Michael Huang e Bryce Pratt. A acusação alega que a empresa realizou vendas massivas da stablecoin UST (TerraUSD) usando dados não públicos, o que teria sido impossível sem acesso a informações internas.

No entanto, a Jane Street rejeitou as acusações, afirmando que suas operações não se basearam em informações privilegiadas. Em um documento apresentado na quinta-feira (15), a empresa argumentou que o processo é "autodestrutivo" e que suas vendas ocorreram após a divulgação pública de dados relevantes.

"A reclamação é autodestrutiva", declarou a Jane Street no pedido. "Os próprios argumentos do autor reconhecem que a maior venda de UST da empresa — 85 milhões de unidades — ocorreu dez minutos após a suposta informação privilegiada ter se tornado pública."

O colapso da Terraform Labs, que resultou em perdas de cerca de US$ 40 bilhões para investidores, desencadeou uma crise no mercado cripto, levando ao fechamento de diversas empresas, incluindo a exchange FTX. O fundador da Terra, Do Kwon, cumpre atualmente uma pena de 15 anos de prisão por fraude.

Disputa sobre o momento das operações

No processo movido em fevereiro, Snyder acusou Bryce Pratt, ex-estagiário da Terraform Labs até setembro de 2021, de ter utilizado um canal não oficial para obter informações internas da empresa. Segundo a acusação, a Jane Street teria vendido grandes quantidades de UST em 7 de maio de 2022, aproveitando-se do momento para maximizar lucros e evitar prejuízos.

A Jane Street, no entanto, negou qualquer relação entre suas operações e informações privilegiadas. A empresa afirmou que a venda de 85 milhões de UST naquele dia foi uma resposta à desvalorização da stablecoin, não influenciada por dados internos. Nos dias seguintes, entre 8 e 13 de maio, a empresa também abriu posições vendidas (bearish) em UST e LUNA (token nativo da Terra).

Snyder alega que essas operações foram baseadas em informações privilegiadas, mas a Jane Street afirmou que começou a construir suas posições vendidas em 8 de maio, antes de qualquer suposta divulgação sobre um "pacote de resgate" para a UST. Esse pacote, segundo relatos, seria um esforço emergencial de captação de recursos para estabilizar a stablecoin.

A Jane Street não é a única empresa acusada por Snyder. Em dezembro, ele também processou a Jump Trading, acusando-a de manipulação de mercado e fraude durante o colapso da Terra. A Jump Trading negou as acusações e classificou o processo como uma tentativa de evitar uma multa de US$ 4,4 bilhões imposta pela SEC em 2024.

O pedido de arquivamento da Jane Street foi apresentado no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, onde os juízes têm até 60 dias para analisar o caso.

Fonte: DL News