A Suprema Corte dos Estados Unidos abriu caminho para que o Alabama utilize um novo mapa congressional que ignora um dos dois distritos com maioria negra do estado. A decisão, anunciada na segunda-feira (12), foi criticada pela ministra Sonia Sotomayor, que a classificou como 'inapropriada' por ser tomada às vésperas das eleições primárias.
Os três ministros liberais da Corte Suprema discordaram da decisão, mas Sotomayor foi a mais enfática. Em um texto de cinco páginas, ela condenou os colegas conservadores, argumentando que a alteração das linhas eleitorais do Alabama, dias antes do pleito, causará 'confusão' entre os eleitores.
Segundo Sotomayor, a decisão desconsidera uma determinação judicial anterior que havia identificado violação da 14ª Emenda pela diluição intencional do voto de cidadãos negros no estado. “A Corte, hoje, descarta sem cerimônia a ordem judicial cuidadosamente documentada e fundamentada, sem qualquer base sólida e ignorando o caos que isso gerará”, afirmou a ministra em seu voto divergente.
O novo mapa permitirá que líderes republicanos do Alabama redesenhem as fronteiras eleitorais, o que pode eliminar uma ou ambas as cadeiras dos democratas na Câmara dos Representantes e prejudicar o deputado democrata Shomari Figures. A decisão foi possível após a Corte Suprema enfraquecer, no mês passado, a Lei de Direitos de Voto (Voting Rights Act).
O caso é resultado de anos de luta da comunidade negra do Alabama, que buscava garantir representação política em um estado tradicionalmente dominado pelos republicanos. “Estamos testemunhando um retorno ao Jim Crow. Quem se preocupa com esses retrocessos deve se mobilizar para votar em novembro e pôr fim a essa insanidade enquanto ainda há tempo”, declarou Derrick Johnson, presidente nacional da NAACP, em comunicado à Associated Press.