Nomeações questionáveis para acelerar deportações

A administração Trump está nomeando juízes de imigração sem experiência prévia para reduzir o acúmulo de processos e cumprir metas de deportação. Segundo investigação do The Washington Post, mais de 140 novos magistrados foram contratados, muitos sem formação em direito imigratório.

Perfil dos novos juízes: alinhamento político e falta de expertise

Entre os nomeados estão:

  • Um advogado de divórcio que prometeu defender "exclusivamente os direitos dos homens";
  • Um promotor de Minnesota que apoiou operações da ICE que resultaram na morte de dois cidadãos americanos;
  • Um juiz que negou proteção humanitária a um imigrante sérvio por não considerar que ele parecia "claramente gay".

Processo seletivo abreviado e treinamento insuficiente

Ex-juízes denunciam que o treinamento, antes com duração de meses ou anos, foi reduzido para apenas três semanas. Christopher Day, ex-magistrado, afirmou ao Congresso em março que o treinamento atual é "totalmente inadequado e altamente tendencioso".

A Associação Nacional de Juízes de Imigração (NAIJ) confirmou ao Post que o Departamento de Justiça (DOJ) encurtou o período de preparação, que antes incluía semanas de observação de audiências, simulações e acompanhamento com mentores.

Objetivo: um judiciário alinhado às políticas de deportação

"Eles estão tentando criar uma força de trabalho maleável, que faça o que eles querem sem questionar. Esse é o objetivo."

Kerry Doyle, ex-funcionária da ICE e juíza de imigração nomeada no governo Biden e demitida antes de assumir o cargo

Deportações em massa: metas versus realidade

O governo Trump prometeu deportar até um milhão de pessoas por ano, mas os números reais ficam aquém. Dados do Departamento de Segurança Interna (DHS), revelados em dezembro, mostram que cerca de 605 mil pessoas foram deportadas desde o retorno de Trump à presidência. O DHS, no entanto, inflou o número ao incluir 1,9 milhão de casos de "autodeportação voluntária", termo criticado por especialistas.

Para acelerar os processos, o DOJ tem pressionado juízes a priorizar casos conforme a agenda política, ignorando limites legais. Neste mês, seis juízes federais foram demitidos por darem precedência à lei em vez das diretrizes da Casa Branca.

Críticas à manipulação do sistema judiciário

Ex-magistrados alegam que a administração está removendo juízes dissidentes, aqueles que proferiram decisões contrárias ao governo. Segundo relatos ao Post, o objetivo é eliminar qualquer resistência no judiciário.

Desde o retorno de Trump ao poder, mais de 100 juízes foram demitidos e um número semelhante se aposentou. A vaga foi preenchida com nomeações rápidas e questionáveis, levantando preocupações sobre a independência da justiça imigratória.