Um tribunal federal dos Estados Unidos manteve, na última sexta-feira (14), a proibição de residentes do Armed Forces Retirement Home — Gulfport (AFRH-G) usarem roupas com mensagens políticas em áreas públicas do local. A decisão do juiz Halil Suleyman Ozerden, do Tribunal Distrital do Sul do Mississippi, reforça as regras internas do lar, que já restringem condutas consideradas inadequadas, como palavrões, conflitos e danos à propriedade de outros residentes.
O caso envolve James Fuselier, veterano da Guerra do Vietnã e morador de longa data do AFRH-G, que contestou a proibição após ser impedido de usar camisetas e acessórios com slogans políticos, como "Trump 2024 Save America Again!" e "Let's Go Brandon". Fuselier também tentou afixar placas em seu andador ortopédico com mensagens como "Vote Republican Vote MAGA" e "Tate Reeves for Governor".
A administração do lar argumentou que as regras visam promover harmonia, segurança e consideração entre os residentes, proibindo explicitamente o uso de roupas com slogans políticos, raciais, sexuais ou étnicos em áreas comuns. Além disso, os moradores devem usar roupas limpas, arrumadas e adequadas ao ambiente residencial.
Contexto legal e precedentes
Embora tribunais anteriores tenham mantido restrições a atividades políticas em bases militares — como no caso Greer v. Spock (1976) — e em propriedades governamentais, a decisão no caso Fuselier v. RisCassi levanta uma questão menos comum: até que ponto o governo pode restringir a liberdade de expressão de residentes permanentes em propriedades públicas, mesmo que não sejam funcionários ativos ou militares em serviço.
Alguns precedentes, no entanto, já haviam reconhecido direitos amplos de expressão para moradores de habitações públicas. Em Resident Action Council v. Seattle Housing Authority (2008), por exemplo, um tribunal de Washington derrubou uma regra que proibia a afixação de placas nas portas dos apartamentos. Outro caso, Walker v. Georgetown Housing Authority (1997), também limitou restrições excessivas a moradores de conjuntos habitacionais públicos.
No entanto, o juiz Ozerden considerou que o AFRH-G tem autoridade para impor tais restrições, uma vez que o local é um ambiente controlado e administrado pelo Departamento de Defesa dos EUA. A decisão destaca que a proibição de roupas políticas não fere a Primeira Emenda, pois está alinhada ao objetivo de manter um ambiente ordenado e respeitoso para todos os residentes.
Reações e implicações
Fuselier, que se identifica como um defensor apaixonado do ex-presidente Donald Trump e de outros candidatos republicanos, argumentou que a proibição violava seu direito de expressão. No entanto, o tribunal entendeu que as regras do AFRH-G são razoáveis e não configuram censura indevida.
A decisão pode ter implicações para outros lares militares de aposentados nos EUA, que também aplicam regras semelhantes. Enquanto isso, organizações de direitos civis e defensores da liberdade de expressão já sinalizaram que podem recorrer da decisão, alegando que a restrição é excessiva e desnecessária.