Crise interna no Partido Trabalhista ameaça governo de Starmer

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta terça-feira (14) a membros de seu gabinete que não tem intenção de renunciar, apesar do crescente número de pedidos para que deixe o cargo dentro do Partido Trabalhista. A pressão aumentou após pesadas derrotas do partido nas eleições locais da semana passada, que, se repetidas em uma eleição nacional, resultariam em uma derrota esmagadora do Labour.

Pressão crescente dentro do partido

Durante uma reunião de cerca de uma hora com o gabinete, Starmer enfrentou a exigência de cerca de 80 parlamentares trabalhistas — quase um quinto da bancada do partido na Câmara dos Comuns — para que renunciasse ou, ao menos, estabelecesse um cronograma para sua saída. Segundo as regras do partido, são necessários 81 parlamentares para formalizar uma disputa pela liderança.

Até o momento, ninguém anunciou candidatura para desafiar Starmer. No entanto, a primeira renúncia já ocorreu: a ministra júnior Miatta Fahnbulleh, considerada de esquerda, deixou o governo nesta terça-feira, pedindo que Starmer "faça a coisa certa pelo país" e defina um prazo para sua saída.

Fahnbulleh afirmou que, embora se orgulhe de seu trabalho, o governo não atuou com a visão, velocidade e mandato para mudanças prometidas aos eleitores. "Não governamos como um Partido Trabalhista claro em seus valores e forte em suas convicções", declarou.

Fatores que abalam a popularidade de Starmer

Apesar de ter conquistado uma vitória esmagadora nas eleições de julho de 2024, a popularidade de Starmer e do Labour vem caindo. Entre os motivos estão:

  • Erros de política pública;
  • Falta de uma visão clara para o país;
  • Economia britânica em dificuldades;
  • Questionamentos sobre seu julgamento, como a nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington, apesar dos laços do ex-ministro com o condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.

Starmer mantém posição firme

No início da reunião do gabinete, Starmer reconheceu a responsabilidade pelas derrotas nas eleições locais, mas afirmou que seguirá à frente do governo. O Labour perdeu votos tanto para a direita (Reform UK e partidos nacionalistas na Escócia e País de Gales) quanto para a esquerda (Partido Verde, com pautas ambientalistas e populistas).

Starmer destacou que há um processo estabelecido para a troca de liderança e que ele não foi acionado. Segundo as regras do partido, candidatos precisam do apoio de pelo menos um quinto dos parlamentares trabalhistas na Câmara dos Comuns — atualmente, 81 votos.

"O país espera que governemos. As últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo e isso tem um custo real para nossa economia e para as famílias", afirmou Starmer.

Impacto econômico da crise política

A instabilidade já se reflete nos mercados financeiros: nesta terça-feira, os juros cobrados em títulos do governo britânico subiram mais do que os de nações comparáveis, sinalizando que investidores veem maior risco na dívida pública do Reino Unido.

Algumas vozes de apoio

Apesar da crise, Starmer ainda conta com apoio de setores do partido. Alguns parlamentares e aliados argumentam que a renúncia agora poderia agravar a instabilidade política e prejudicar ainda mais a agenda de reformas do governo.