Candidatos multados por apostas em eleições próprias no Kalshi
Três candidatos ao Congresso dos Estados Unidos foram suspensos por cinco anos e multados pela plataforma de apostas Kalshi por terem apostado em seus próprios resultados eleitorais. A decisão, anunciada na quarta-feira (14), reforça os debates sobre regulação de mercados de previsão, que já enfrentam pressão bipartidária no Congresso.
Quem são os candidatos punidos?
A Kalshi identificou os envolvidos como Mark Moran, candidato independente ao Senado pela Virgínia; Ezekiel Enriquez, que concorria a uma vaga na Câmara pelo Texas pelo Partido Republicano; e Matt Klein, senador estadual democrata que disputava uma cadeira na Câmara pelo Minnesota.
Moran e Klein confirmaram as apostas em suas redes sociais. Moran declarou ter "apostado US$ 100 em mim mesmo", enquanto Klein admitiu ter feito um depósito de US$ 50 em outubro, seu primeiro contato com mercados de previsão.
Valores das multas e suspensões
A Kalshi aplicou multas distintas:
- Mark Moran: multa superior a US$ 6,2 mil (recusou acordo que incluía publicação em rede social)
- Ezekiel Enriquez: multa de mais de US$ 780
- Matt Klein: multa de mais de US$ 530
Todos foram suspensos da plataforma por cinco anos.
Reações e críticas às punições
As penalidades foram consideradas brandas por alguns políticos. O deputado Mike Levin (Democrata-CA) classificou as sanções como "multa de estacionamento" em publicação no X (antigo Twitter).
Moran, entretanto, defendeu sua estratégia. Em entrevista à Associated Press, afirmou que as apostas tinham como objetivo chamar atenção para a influência indevida de plataformas como o Kalshi em eleições. Ele também revelou ter pedido à empresa que divulgasse seu nome em seu site como forma de protesto.
"Quando eu incomodo as pessoas, quando as aborreço e chamo sua atenção, é aí que elas começam a ouvir."
Klein, por sua vez, reconheceu o erro e pediu desculpas, destacando que a experiência mostrou a necessidade de maior regulação nesses mercados.
Contexto: pressão por regulação
Os mercados de previsão, como Kalshi e Polymarket, têm atraído atenção crescente — e críticas. Em janeiro, um usuário anônimo do Polymarket lucrou US$ 400 mil apostando na saída do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder.
Em março, senadores apresentaram projeto de lei para regulamentar essas plataformas. Em resposta, Kalshi e Polymarket anunciaram novas regras, incluindo a proibição de candidatos políticos apostarem em suas próprias campanhas.
As multas aplicadas pela Kalshi, no entanto, são acordos internos da empresa e não envolvem a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador dos mercados de previsão nos EUA. A agência, presidida por Michael Selig, é vista como favorável ao crescimento do setor.
O caso reforça o debate sobre transparência e ética em mercados de apostas políticas, especialmente diante de movimentações milionárias e potenciais conflitos de interesse.