A NASA confirmou nesta quinta-feira (15) que a SpaceX será responsável pelo lançamento do rover europeu Rosalind Franklin, com destino a Marte. O foguete Falcon Heavy deve decolar do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, possivelmente ainda em 2028.

A decisão de confiar a uma empresa americana uma missão tão estratégica para a Agência Espacial Europeia (ESA) não foi simples. O projeto enfrentou anos de adiamentos, mudanças de parceiros e até mesmo a interrupção de acordos devido à guerra na Ucrânia.

Uma missão com mais de duas décadas de história

A trajetória do rover Rosalind Franklin começou há quase 25 anos. Na época, logo após a NASA pousar seu primeiro rover em Marte, em 1997, a ESA planejava enviar sua própria sonda ao planeta vermelho. O projeto fazia parte do programa Aurora, com previsão inicial de lançamento em 2009.

Naquele momento, a Rússia seria a responsável pelo lançamento, fornecendo um foguete Soyuz. No entanto, a parceria esfriou ao longo dos anos, e o acordo foi desfeito após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

Por que a NASA está envolvida na escolha do foguete?

A participação da NASA nesse processo se deve ao ExoMars, programa europeu de exploração de Marte que inclui o rover Rosalind Franklin. Após a saída da Rússia, a ESA buscou novos parceiros para viabilizar a missão.

A agência espacial americana entrou em cena para ajudar a encontrar uma alternativa, já que o foguete Proton, da Rússia, não poderia mais ser utilizado. A SpaceX surgiu como a principal opção, oferecendo o Falcon Heavy, um veículo de lançamento potente e já testado em missões espaciais.

O que torna o Rosalind Franklin tão especial?

O rover europeu foi projetado para buscar sinais de vida passada ou presente em Marte. Equipado com uma broca capaz de coletar amostras a até dois metros de profundidade, ele poderá analisar o solo marciano em busca de compostos orgânicos.

Além disso, a missão tem como objetivo estudar a geologia do planeta e sua potencial habitabilidade. O nome do rover é uma homenagem à cientista britânica Rosalind Franklin, cujas pesquisas foram fundamentais para a descoberta da estrutura do DNA.

"A escolha da SpaceX representa um marco na colaboração internacional para a exploração de Marte. Estamos ansiosos para os avanços científicos que essa missão trará."
— David Parker, diretor de Exploração Humana e Robótica da ESA

Próximos passos da missão

A ESA e a NASA agora trabalham em conjunto para finalizar os detalhes do lançamento. Além do foguete, também será necessário ajustar a trajetória e os instrumentos científicos do rover para garantir o sucesso da missão.

Caso tudo ocorra conforme o planejado, o Rosalind Franklin poderá ser lançado ainda em 2028, chegando a Marte em 2029 ou 2030. A missão não apenas ampliará nosso conhecimento sobre o planeta vermelho, como também reforçará a parceria entre agências espaciais de diferentes continentes.