As mudanças climáticas já não são mais um fenômeno distante: seus impactos estão alterando diretamente a qualidade dos alimentos que consumimos. Segundo pesquisadores, o excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera está reduzindo o valor nutricional de plantas como arroz, trigo, soja e feijão — culturas que sustentam a alimentação de bilhões de pessoas.

Um estudo publicado na revista Global Change Biology analisou 43 tipos de plantas e identificou uma queda média de 3,2% nos níveis de proteínas, ferro e zinco desde o final dos anos 1980. A principal causa? O aumento da concentração de CO2 no ar. Embora a redução pareça pequena, os cientistas alertam que ela pode ter consequências graves para populações já vulneráveis à desnutrição.

‘As dietas atuais já têm menos densidade nutricional do que as de nossos avós, mesmo quando comemos os mesmos alimentos’, afirmou Kristie Ebi, professora da Universidade de Washington, ao The Washington Post.

Como o CO2 afeta a nutrição das plantas

As plantas absorvem CO2 para crescer, convertendo-o em açúcares que lhes fornecem energia. No entanto, o excesso desse gás não aumenta proporcionalmente a absorção de minerais essenciais, como ferro e zinco, presentes no solo. Como resultado, a concentração desses nutrientes nos alimentos diminui, mesmo que as plantas cresçam maiores e mais rápido.

Outro efeito colateral do CO2 elevado é a redução da abertura dos estômatos — poros microscópicos das folhas responsáveis pela troca gasosa. Com menos aberturas, as plantas perdem menos água por evaporação, mas também absorvem menos minerais pela raiz. ‘A planta se torna mais eficiente, mas a um custo alto para os humanos’, explicou Lewis Ziska, biólogo da Universidade Columbia, que estuda o fenômeno há mais de 20 anos.

Riscos para a saúde global

Os impactos já são preocupantes e podem piorar. Um estudo de 2018 estimou que mais 175 milhões de pessoas poderiam sofrer com deficiência de zinco devido à queda nos níveis nutricionais dos alimentos. Além disso, cerca de 1,4 bilhão de mulheres e crianças poderiam perder 4% de seu ferro dietético, agravando casos de anemia — condição que afeta um quarto da população mundial e pode causar complicações na gravidez, problemas de desenvolvimento e até morte.

Os pesquisadores destacam que, embora as mudanças sejam sutis no curto prazo, a tendência é alarmante. Com o agravamento das emissões de CO2, a qualidade nutricional dos alimentos tende a piorar ainda mais nas próximas décadas, colocando em risco milhões de vidas.

Fonte: Futurism