Greg Reefer não é apenas um entusiasta de carros — é um apaixonado por máquinas potentes disfarçadas de modelos discretos. Nas ruas do sudeste de Michigan, é comum vê-lo ao volante de seu Mustang Mach 1 de 22 anos, um carro que, à primeira vista, pode até passar despercebido. Com sua pintura laranja vibrante e rodas bem acabadas, ele não chama atenção pelo barulho ou pela ostentação. Para os desavisados, pode até parecer apenas um Mustang antigo bem conservado.

Porém, por baixo do capô, há um V8 4.6L de 32 válvulas capaz de performances impressionantes. Em uma arrancada de um quarto de milha, o carro atinge 150 mph em menos de 9 segundos — números que deixariam muitos supercarros modernos no chinelo. Não é à toa que Reefer brinca: “Isso aqui é um caminhão”.

Três gerações de paixão por motores

A ligação de Reefer com veículos potentes não é recente. Ele é um terceiro geracional de donos de frotas de caminhões. Seu avô, na década de 1930, chegou a contratar um jovem ambicioso chamado Jimmy Hoffa para dirigir seus caminhões. Seu pai, anos depois, abriu uma concessionária Brockway, superando altos e baixos até que, em 1989, Reefer e o pai garantiram uma franquia Peterbilt, que cresceu e se tornou um sucesso.

Carros sim, caminhões também

Apesar do sucesso nos negócios de transporte pesado, os caminhões nunca foram sinônimo de diversão para Reefer. Desde que pôde dirigir, ele buscou algo mais emocionante. Aos 16 anos, comprou um Mustang Cobra Jet 1969 com 90 mil milhas rodadas — um projeto que exigiu muita paciência e perseverança para manter na estrada.

Ao longo dos anos, Reefer colecionou diversos carros, muitos deles modelos familiares que um pai de família poderia dirigir. Mas foi em 2004, ao procurar um novo veículo, que sua esposa, Kim — sua namorada desde o ensino médio e com quem comemorou 50 anos de casamento em 2024 —, deu a dica certeira: “Por que não pega algo divertido?”.

A busca pelo Mach 1 perfeito

Como concessionário licenciado, Reefer tinha acesso a leilões locais. Em uma dessas ocasiões, avistou um Mustang Mach 1 vermelho de 2004. Ao levantar o capô, deparou-se com as tampas de válvulas do potente V8 4.6L e se apaixonou instantaneamente. Infelizmente, seu lance não foi o vencedor. Sem opções, ele acabou levando para casa um discreto Ford Taurus — decisão que não agradou muito à família.

Mas o destino, que parece sempre sorrir para Reefer, interveio. Em um estacionamento, ele encontrou um Mustang Mach 1 laranja de 2004 com um cartaz de “Vendido”. Não só era o carro que ele queria, como também na cor que ele adorava. Reefer tem uma história com veículos laranjas: já possuiu um International Scout off-road e um barco a jato com motor Ford big-block equipado com nitro. Para ele, a cor não é apenas uma escolha estética, mas uma conexão com sua trajetória automotiva.

Fonte: Hagerty