A lendária sonda Voyager 1, que viaja pelo espaço há quase meio século, enfrenta o seu maior desafio: a energia está se esgotando. Para garantir que a missão continue por mais um ano, a NASA desativou um de seus instrumentos científicos, o Low-energy Charge Particles experiment (LECP), que monitorava partículas de baixa energia vindas de fora do Sistema Solar.
O engenheiros do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA tomaram a decisão na última sexta-feira (13). A medida faz parte de um plano estratégico para gerenciar a energia cada vez mais escassa da sonda, que depende de uma bateria nuclear para funcionar.
Por que desativar o LECP?
Segundo a NASA, a bateria de radioisótopos da Voyager 1 perde cerca de 4 watts de energia por ano. Em fevereiro, durante uma manobra rotineira, os níveis de energia caíram abruptamente, colocando a sonda em risco de entrar em modo de segurança por falta de energia. Recuperar a sonda, que está a mais de 15 bilhões de milhas da Terra, nesse estado seria extremamente difícil e arriscado.
Para evitar isso, a equipe decidiu reduzir o consumo de energia. O LECP foi o próximo na lista de sacrifícios, já que sua função pode ser retomada futuramente. Apenas dois dos dez instrumentos originais da Voyager 1 ainda estão ativos: um medidor de ondas de plasma e outro de campos magnéticos. O último instrumento desativado foi o subsistema de raios cósmicos, em fevereiro de 2025.
Um futuro incerto, mas promissor
"Embora desativar um instrumento científico não seja a preferência de ninguém, é a melhor opção disponível para manter a Voyager 1 operante por mais tempo."
— Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager no JPL
Apesar do desligamento do LECP, um pequeno motor que mantém o instrumento girando permaneceu ativo. Isso deixa a porta aberta para uma possível reativação futura. Em 2023, a NASA já havia reativado os propulsores da Voyager 1 após quase 20 anos inativos, mostrando que a engenhosidade humana pode superar limites tecnológicos.
A equipe agora trabalha em um plano mais ousado de economia de energia, chamado de "Big Bang", que envolve desligar vários dispositivos simultaneamente. O objetivo é manter as duas sondas Voyager — a Voyager 1 e sua irmã, a Voyager 2 — coletando dados do espaço interestelar pelo maior tempo possível.
"Elas ainda funcionam perfeitamente, enviando dados de uma região do espaço que nenhuma outra espaçonave construída pelo homem já explorou", afirmou Badaruddin. "Nossa equipe está focada em manter ambas as Voyagers operantes pelo maior tempo que conseguirmos."