A dependência de Nova Inglaterra de importações de gás natural liquefeito pode estar com os dias contados. A região, que abriga grandes centros urbanos como Boston e Nova York, enfrenta altos custos para importar combustível de outros países, apesar da proximidade de reservas nos campos de xisto de Pensilvânia, a poucos quilômetros de distância.

O problema não é a falta de gás, mas a insuficiência de infraestrutura de gasodutos. Governadores democratas da região bloquearam projetos anteriores em nome da luta contra as mudanças climáticas, mesmo com o aumento da dependência de usinas termelétricas a gás natural. Agora, sinais de mudança começam a surgir.

Novos projetos de gasodutos ganham força

No mês passado, a Williams Companies iniciou as obras de expansão de um gasoduto em Nova York. Agora, a Enbridge, empresa canadense, anunciou planos de estender a linha Algonquin Gas Transmission, segundo informações obtidas pela E&E News junto a fontes não identificadas do Conselho Nacional de Energia Dominante do governo Trump.

Embora não haja data definida para o anúncio oficial, governadores democratas que antes se opunham a esses projetos já demonstram abertura para a construção de novas infraestruturas energéticas.

Contexto: por que Nova Inglaterra importa gás?

Apesar de possuir reservas significativas no xisto de Marcellus, em Pensilvânia, Nova Inglaterra não consegue transportar o gás de forma eficiente para seus principais centros urbanos. A falta de gasodutos adequados força a região a importar gás natural liquefeito (GNL) por navios-tanque, muitas vezes de países distantes como Catar ou Trinidad e Tobago, o que encarece o combustível.

Enquanto isso, usinas termelétricas na região dependem cada vez mais do gás natural para suprir a demanda energética, especialmente durante picos de consumo no inverno.

Especialistas destacam que, sem uma expansão da malha de gasodutos, Nova Inglaterra continuará vulnerável a flutuações de preços e crises de abastecimento, mesmo com reservas locais disponíveis.

"A dependência de importações de GNL é um paradoxo para uma região próxima a algumas das maiores reservas de gás natural do mundo. A solução passa por investimentos em infraestrutura, não em proibições", afirmou um analista do setor energético.