A Polícia de Nova York (NYPD) não cumpriu uma determinação judicial ao não fiscalizar abordagens realizadas por uma unidade agressiva, segundo revelou o monitor federal responsável por supervisionar o cumprimento de uma decisão de 2013 sobre o programa de "stop-and-frisk".

Mais de 2 mil abordagens não foram revisadas adequadamente nos últimos três anos, envolvendo a Community Response Team (CRT), uma unidade conhecida por táticas controversas, como perseguições em alta velocidade e abordagens opacas. A falta de fiscalização foi descoberta recentemente pelo monitor federal, que destacou a gravidade da falha.

Unidade com histórico de abusos

A CRT, que atua principalmente em questões de "qualidade de vida", como motos e quadriciclos não licenciados, expandiu-se significativamente durante a gestão do então prefeito Eric Adams. No entanto, a unidade já enfrentava críticas internas por suas operações pouco transparentes e por um padrão de abordagens consideradas inconstitucionais.

Um levantamento da ProPublica mostrou que mais da metade dos policiais da CRT já foram alvo de pelo menos uma queixa por má conduta em suas carreiras, um índice muito superior à média da corporação. Em 2023, o monitor federal já havia alertado que apenas 59% das abordagens da unidade eram legais, em comparação com taxas significativamente maiores em outras divisões.

Impacto nas vítimas de abordagens discriminatórias

A falta de revisão das abordagens da CRT distorce os dados oficiais sobre o cumprimento da decisão judicial de 2013, que proibiu abordagens discriminatórias contra negros e latinos. Segundo o monitor federal, Mylan Denerstein, a taxa real de conformidade constitucional da unidade é provavelmente ainda menor do que os 59% já considerados alarmantes.

"A falha em auditar essas abordagens significa que detenções, revistas e buscas inconstitucionais passaram despercebidas. Isso é inaceitável. A cidade deve fazer mais para evitar que isso aconteça."
— Mylan Denerstein, monitor federal da NYPD

Em resposta, a NYPD afirmou que tomou medidas para corrigir as falhas. "Sob a gestão da comissária Jessica Tisch, a NYPD implementou ações para garantir a conformidade com as determinações judiciais", declarou a polícia em comunicado à ProPublica.