O Departamento de Estado dos Estados Unidos apresentou um projeto de passaportes comemorativos para marcar o 250º aniversário da independência americana. A edição limitada, que inclui a imagem do ex-presidente Donald Trump, foi divulgada inicialmente pela Fox News.

A proposta de design apresenta duas páginas internas personalizadas: uma com o retrato de Trump e outra com uma imagem dos Pais Fundadores assinando a Declaração de Independência.

Segundo um porta-voz do Departamento de Estado, a distribuição está prevista para julho e será aberta a qualquer cidadão americano que solicitar o documento durante o lançamento, enquanto houver estoque disponível. No entanto, a edição especial só poderá ser retirada na Agência de Passaportes de Washington, D.C., e a quantidade disponível é estimada em apenas 25 mil unidades — número contestado pelo governo.

Em comunicado à Fast Company, o Departamento de Estado classificou como "notícia falsa" a informação sobre a quantidade limitada, mas não forneceu um número oficial de passaportes a serem produzidos. Especialistas questionam a real necessidade de criar essa edição, que parece destinada a um público muito restrito.

Veja como será o passaporte comemorativo

"Por que criar isso, afinal?" — The Bulwark, 28 de abril de 2026

Principais diferenças em relação ao passaporte tradicional

A edição comemorativa do 250º aniversário apresenta três alterações em relação ao modelo oficial, lançado em 2021:

  • Capa traseira: Substitui o fundo branco por uma bandeira dourada inspirada na versão de 1777, com 13 estrelas em círculo representando as colônias. Dentro do círculo, o número "250" é destacado. No verso, a imagem da sonda Voyager, da Lua e da Terra é substituída pela obra Declaração de Independência, de John Trumbull (1818).
  • Citação ausente: A frase da autora afro-americana Anna Julia Cooper, "E Pluribus Unum", foi removida. No lugar, lê-se apenas "United States of America".
  • Capa interna: A ilustração de Francis Scott Key, autor do hino nacional americano, foi substituída pela segunda foto oficial de Trump — inspirada em seu *mugshot* — sobreposta à Declaração de Independência, com a assinatura do ex-presidente em dourado.

Estratégia de marketing ou provocação política?

Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump tem buscado associar seu nome e imagem a diversos símbolos governamentais. Essa estratégia pode ter dois objetivos: reforçar sua marca pessoal dentro do governo federal, mesmo com índices de aprovação abaixo de 40%, e gerar polêmica como forma de chamar atenção para a iniciativa — mesmo que o resultado seja reações negativas.