Um programador de São Francisco, nos Estados Unidos, percebeu que sua existência seguia um padrão quase robótico, ditado por algoritmos que otimizavam cada aspecto de sua rotina. A constatação não veio de um filme de ficção científica, mas da realidade cotidiana de Max, que decidiu romper com essa programação de forma inusitada.
Em vez de seguir o caminho convencional de autodescoberta, Max, um profissional de tecnologia, optou por uma abordagem baseada em código e aleatoriedade. Segundo relato ao The Atlantic, ele percebeu que até mesmo seus momentos de lazer — como frequentar bares ou ouvir música — eram previsíveis, guiados por plataformas que antecipavam seus gostos sem jamais desafiá-lo a experimentar algo novo.
Como programador, a solução foi óbvia: criar uma ferramenta para subverter o sistema. Ele desenvolveu um aplicativo que chamava um Uber para levá-lo a destinos surpresa na cidade, revelados apenas ao motorista. A ideia, nas palavras da revista, funcionava como uma terapia de exposição à incerteza.
Os resultados foram surpreendentes. Max visitou lugares que jamais consideraria, como um bar de couro, um planetário e uma pista de boliche em um bairro desconhecido. Em pouco tempo, ele se viciou na rotina de decisões aleatórias, estendendo o experimento para escolhas cotidianas, como refeições, tatuagens e playlists. "Ao escolher aleatoriamente, encontrei liberdade", declarou ao The Atlantic.
O passo seguinte foi radical: em 2015, Max deixou seu emprego estável no Google e se entregou a outro algoritmo, desta vez para decidir onde viver. Por mais de dois anos, ele se mudou de cidade a cada mês, passando por Ho Chi Minh, Berlim e outros destinos ao redor do mundo. A experiência, embora extrema, levantou uma questão fundamental: até que ponto a renúncia ao controle pode ser considerada liberdade?
Michel Dugas, professor de psicologia da Université du Québec, analisou o caso e concluiu que a aleatoriedade pode ser uma forma de evitar a responsabilidade pelas próprias escolhas, em vez de abraçar verdadeiramente a incerteza. Max, no entanto, não parecia se importar — até que um destino revelou os limites de sua abordagem.
Durante uma viagem de carro pelos Estados Unidos com sua então namorada, o algoritmo o levou a Williamston, uma cidade rural no meio dos pântanos da Carolina do Norte. "O que estamos fazendo aqui?", ele se perguntou. Foi então que teve uma revelação semelhante à do filme The Matrix.
"Quando você vive aleatoriamente, cria muito ruído, mas esse ruído não leva a lugar nenhum. Percebi que a liberdade não está em não escolher, mas em escolher com propósito."
A história de Max ilustra um paradoxo moderno: em um mundo cada vez mais guiado por algoritmos, a busca pela autonomia pode exigir, ironicamente, o uso da tecnologia contra si mesma.