Governo dos EUA diverge sobre queda dos preços da gasolina
O governo dos Estados Unidos não consegue definir um prazo para que os preços da gasolina retornem ao patamar de US$ 3 por galão, valor almejado pela administração Trump. Enquanto o presidente Donald Trump afirmou que a queda depende do fim da guerra no Irã, o secretário de Energia, Chris Wright, projetou que isso só deve ocorrer em 2027.
Trump rebate previsão do governo
Em entrevista ao The Hill nesta segunda-feira (13), Trump classificou como "totalmente errada" a previsão de Wright. Segundo o presidente, os preços da gasolina vão cair "assim que" a guerra no Irã terminar, embora não haja um cronograma definido para o conflito.
"Ele está errado. Totalmente errado."
Donald Trump, sobre as declarações de Chris Wright
Wright, por sua vez, afirmou que os preços podem cair ainda este ano ou apenas em 2025, mas garantiu que já atingiram o pico e devem começar a recuar. Durante participação no programa State of the Union, da CNN, ele declarou: "Isso pode acontecer ainda este ano, pode não acontecer até o próximo, mas os preços provavelmente já atingiram o máximo e vão começar a cair".
Previsões conflitantes entre autoridades
Enquanto Wright não definiu um prazo para a queda abaixo de US$ 3, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi mais otimista. Em coletiva na semana passada, ele afirmou que os preços podem cair para menos de US$ 4 ainda no verão americano, com a possibilidade de atingirem a casa dos US$ 3 "mais cedo do que se imagina".
"Sou otimista de que, durante o verão, veremos gasolina com três dígitos na frente, mais cedo do que se imagina."
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA
Impacto nos motoristas e na economia
Atualmente, o preço médio da gasolina nos EUA é de US$ 4,04 por galão, segundo a AAA. Embora tenha caído levemente em relação ao pico de US$ 4,16 registrado neste mês, o valor ainda está US$ 1,23 acima do registrado em janeiro, quando a média nacional era de US$ 2,81 — o menor valor em quase cinco anos.
Para os motoristas, isso representa um gasto adicional de cerca de US$ 20 por tanque cheio em um carro de passeio. Além disso, as companhias aéreas já começaram a aumentar taxas extras e reduzir voos de baixa capacidade, enquanto a Europa enfrenta risco de escassez de combustível devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Temporada de viagens sob pressão
Nos EUA, a alta nos preços da energia pode prejudicar a temporada de viagens de verão, que começa em menos de cinco semanas com o feriado do Memorial Day. A expectativa de alívio nos preços, no entanto, ainda é incerta, especialmente para os passageiros aéreos.
Conflito no Irã mantém pressão nos preços
A guerra no Oriente Médio, que afeta o fornecimento de petróleo, é o principal fator por trás do aumento nos preços da gasolina. O Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo, tem sofrido bloqueios que elevam os custos globais de energia.
Apesar das divergências entre as autoridades, a Casa Branca mantém a promessa de reduzir os preços, com Trump tendo feito campanha com a proposta de gasolina a US$ 2 por galão.