Defesa de Hegseth é contestada por aliados do governo

Senadores republicanos estão questionando a legalidade da estratégia do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, para evitar a necessidade de autorização congressional na guerra contra o Irã. A Lei de Poderes de Guerra de 1973 estabelece que o presidente pode manter tropas em ambiente hostil por até 60 dias, mas deve retirá-las caso não obtenha aprovação do Congresso para prorrogação.

Com o prazo se encerrando na sexta-feira, Hegseth afirmou que o período de 60 dias teria sido pausado após o anúncio de um cessar-fogo em meados de abril. No entanto, aliados do governo não aceitam a justificativa, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

Senadores republicanos exigem esclarecimentos

O senador Todd Young, de Indiana, foi direto ao criticar a argumentação:

"O cessar-fogo parou o prazo? Qual cessar-fogo? Ele ainda vale se não houver cessação de fogo? Não sei. Há precedente legal para isso? São exatamente os tipos de perguntas que os membros fariam."

Enquanto isso, os EUA testaram os limites do cessar-fogo ao instalar um bloqueio militar em portos iranianos e até mesmo apreender um navio de carga iraniano. Israel, aliado dos EUA na operação conjunta, manteve seus intensos ataques no Líbano.

O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, questionou se Hegseth compreende os limites legais impostos à campanha militar:

"Vou deixar meus especialistas jurídicos dizerem se concordam... A Lei de Poderes de Guerra diz que, em 60 dias, você deve tomar alguma atitude."

Já o senador Josh Hawley, do Missouri, rejeitou a alegação de que a aprovação congressional não seria necessária:

"A forma correta de apresentar esse argumento ao Congresso seria colocá-lo por escrito e enviá-lo até aqui."

Hawley acrescentou que, sem um pedido oficial de prorrogação, caberia ao Congresso debater a autorização da guerra.

"Não quero fazer isso, porque não desejo abrir mais conflitos. Quero encerrá-lo."

Implicações legais e políticas

A controvérsia levanta dúvidas sobre a interpretação da Lei de Poderes de Guerra e o uso de cessar-fogos como justificativa para estender operações militares sem aprovação legislativa. Especialistas jurídicos e congressistas debatem se a estratégia de Hegseth tem base legal ou se representa um desrespeito ao sistema de freios e contrapesos do governo americano.