Robôs já dominaram o tênis, quebraram recordes de maratona e agora estão prestes a superar os melhores jogadores de tênis de mesa. Em um estudo recente publicado na revista Nature, pesquisadores revelaram como um braço robótico desenvolvido pela Sony, chamado Ace, foi treinado com IA para derrotar jogadores de elite e profissionais em partidas oficiais.
A Sony afirma que este é o primeiro robô a atingir um desempenho de nível especialista em qualquer esporte físico competitivo, após décadas de desenvolvimento em robótica para tênis de mesa. Um vídeo promocional da divisão de IA da empresa mostra o robô movendo-se rapidamente com a raquete, rebatendo bolas com velocidade impressionante, enquanto jogadores humanos rebatem com força total.
Embora ensinar um robô a jogar pingue-pongue possa não parecer uma revolução industrial imediata, muitas das conquistas do Ace podem ser aplicadas em outras áreas. Peter Dürr, líder do projeto e autor principal do estudo, afirmou à Reuters que as técnicas usadas podem ser transferidas para manufatura, robótica de serviços, esportes, entretenimento e até domínios críticos de segurança.
Segundo o artigo, o Ace venceu três das cinco partidas contra jogadores de elite com mais de dez anos de experiência, mas perdeu duas para profissionais de alto nível até abril de 2025. No entanto, a Sony afirmou que, em dezembro de 2024 e no mês passado, o robô já havia derrotado mais jogadores profissionais.
A complexidade por trás do robô
A precisão do Ace é impressionante. O sistema utiliza nove câmeras e três sistemas de visão para rastrear a bola em tempo real, determinando sua trajetória com uma latência de cerca de dez milissegundos e uma precisão milimétrica. Além disso, consegue medir a rotação da bola em até 700 Hz, capturando movimentos que seriam invisíveis ao olho humano.
A aprendizagem por reforço profundo permite que o robô preveja o comportamento da bola e escolha a melhor resposta para contra-atacar o adversário. Essa capacidade de adaptação instantânea torna o jogo contra o Ace extremamente desafiador. Mayuka Taira, jogadora profissional de tênis de mesa, declarou à Reuters que é praticamente impossível identificar padrões ou fraquezas no robô, o que dificulta ainda mais a estratégia dos jogadores humanos.
Apesar do avanço, Dürr destacou que jogadores profissionais ainda têm vantagem em um aspecto: a capacidade de adaptar-se rapidamente ao estilo do oponente e explorar suas fraquezas, uma habilidade que, por enquanto, os robôs ainda não dominam completamente.