O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ignorou os alertas de oficiais militares ao reduzir drasticamente um departamento do Pentágono criado para minimizar mortes de civis em conflitos armados. A decisão, que eliminou 90% da equipe responsável por essa missão, ocorreu em meio a uma série de guerras que resultaram em milhares de vítimas civis.

Durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado na quinta-feira (30), Hegseth não conseguiu justificar sua escolha quando questionado pela senadora Kirsten Gillibrand. A parlamentar pressionou o secretário sobre os impactos da decisão, que incluiu a destruição de escolas, hospitais e outros locais civis.

Gillibrand questionou:

"Vamos falar sobre como você está conduzindo a guerra. Qual é a sua resposta sobre alvos que resultaram na destruição de escolas, hospitais e locais civis? Por que você cortou — em 90% — a divisão que deveria ajudar a evitar que civis fossem atingidos? E você conhece o impacto de um fracasso estratégico em uma guerra quando há tantas mortes de civis?"

A senadora ainda destacou que, mesmo com operações táticas bem-sucedidas, os objetivos estratégicos podem ser comprometidos devido ao alto número de vítimas civis.

"Você pode ter concluído uma missão taticamente bem, mas estrategicamente não está atingindo seus objetivos por causa das baixas civis. Qual é o custo disso?"

Hegseth, no entanto, não apresentou uma resposta clara. Em vez de abordar as consequências de sua decisão, ele repetiu um princípio vago sobre o compromisso dos EUA com a proteção de vidas civis.

"Nenhum exército, nenhum país trabalha mais em todos os níveis para garantir a proteção de vidas civis do que o Exército dos Estados Unidos. E esse é um compromisso inabalável que fazemos, não importa quais sistemas utilizemos."

Gillibrand insistiu:

"Bom, então por que você cortou o departamento em 90%?"

Antes que pudesse obter uma resposta, a senadora foi interrompida pelo senador republicano Roger Wicker, presidente do comitê.

Até o momento, a guerra no Irã já resultou em pelo menos 1.701 mortes de civis, segundo análise da Human Rights Activists News Agency. No Líbano, os ataques israelenses mataram mais de 2.496 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. Além disso, 13 militares dos EUA foram mortos na região.

Ainda, o bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto durante o conflito, agravou uma crise energética global, interrompendo o comércio de petróleo no Oriente Médio. Nos EUA, a escassez de combustível elevou os custos de transporte, afetando praticamente todos os setores da economia. Segundo a AAA, o preço médio do galão de gasolina superava US$ 4,30, chegando a mais de US$ 6 em cidades como São Francisco, Napa e San Jose, na Califórnia.

As consequências econômicas e políticas do conflito têm gerado preocupações dentro do Partido Republicano e na Casa Branca, temendo que a impopularidade da guerra possa prejudicar os conservadores nas eleições de novembro.