Secretário do Comércio de Trump enfrenta acusações de mentira sobre Epstein

Na quinta-feira, Howard Lutnick, secretário do Comércio dos EUA, foi novamente questionado sobre seu elaborado relato envolvendo seu relacionamento pessoal e profissional com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais contra menores. Durante audiência na Comissão de Apropriações da Câmara, a deputada democrata Madeleine Dean apresentou evidências que contradizem suas declarações anteriores.

Declaracoes anteriores desmentidas por documentos

Em outubro, Lutnick afirmou ao New York Post que a última vez que viu Epstein foi em 2005, durante uma visita à casa vizinha à sua, e que ele e a esposa ficaram "enojados" com o criminoso, jurando nunca mais retornar. No entanto, documentos revelados posteriormente mostraram que:

  • Lutnick visitou a ilha privada de Epstein em 2012, quatro anos após o criminoso ter se declarado culpado de solicitação de prostituição infantil;
  • Ele levou esposa, filhos e babás para a ilha do predador;
  • Dias após a visita, Lutnick e Epstein firmaram um acordo de negócios como "coinvestidores em uma empresa de publicidade digital", parceria que durou até 2018.

Respostas evasivas e recusa em esclarecer

Durante o depoimento, Dean questionou diretamente por que Lutnick mentiu ao New York Post:

Dean: "Por que o senhor mentiu sobre seu relacionamento com Epstein? Não aceite a oferta de falar em particular, sem juramento. O povo americano merece saber."

Lutnick: "A Comissão de Supervisão e eu concordamos..."

Dean (interrompendo): "Reivindico meu tempo. Não aceito essa resposta. Já ouvimos isso antes. Por favor, responda à pergunta."

Lutnick tentou repetir respostas genéricas, mas teve o microfone desligado. Quando questionado sobre os vínculos financeiros com Epstein e se o presidente Trump estava ciente do relacionamento, ele se recusou a responder, alegando que havia concordado em discutir o assunto em particular.

Dean: "Que fique registrado que o senhor está se esquivando da pergunta. A cobertura continua."

Críticas à conduta e permanência no cargo

Analistas e parlamentares classificaram as ações de Lutnick como "vergonhosas" e questionaram sua capacidade de continuar no cargo. A recusa em prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento com Epstein, um dos criminosos mais notórios do século, levantou suspeitas sobre possíveis interesses escusos.

Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou sobre o caso. A situação reforça críticas à administração Trump quanto à transparência e ética em cargos públicos.