O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos aprovou, por votação partidária, a nomeação de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para presidir o Federal Reserve (Fed). A decisão coloca Warsh no caminho para a confirmação final pelo plenário do Senado nas próximas semanas.

A nomeação de Warsh, anunciada em janeiro, enfrentava resistência do senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, que detinha o voto decisivo no comitê. Tillis condicionou seu apoio à suspensão de uma investigação federal contra o então presidente do Fed, Jerome Powell.

Powell, Tillis e diversos democratas alegaram que a investigação era uma tentativa de pressionar Powell a reduzir as taxas de juros, beneficiando aliados do presidente. Durante audiência na semana passada, Tillis declarou a Warsh:

"Você tem credenciais extraordinárias, impecáveis. Vamos encerrar essa investigação para que eu possa apoiar sua confirmação."

Na sexta-feira, a procuradora-geral adjunta Jeanine Pirro anunciou o arquivamento da investigação. Tillis imediatamente declarou seu apoio a Warsh, mas Pirro advertiu que o caso poderia ser reaberto. A senadora democrata Elizabeth Warren, presidente do subcomitê, criticou a decisão:

"Ninguém está iludido. Trump ainda tenta controlar o Fed e mantém a ameaça de acusações infundadas até conseguir o que quer."

Falta de independência de Warsh é alvo de críticas

Durante audiência, Warsh recusou-se a citar qualquer divergência com o presidente Trump, o que reforçou acusações de falta de autonomia. A senadora Warren afirmou:

"O sr. Warsh é um fantoche de Trump, tão intimidado que não consegue sequer admitir que Trump perdeu a eleição de 2020."

Tillis rebateu as críticas, chamando-as de "pontos políticos".

"Tenho confiança de que a investigação está encerrada. Ela está completamente errada em tudo o que afirmou."

Patrimônio milionário e histórico no Fed

Warsh também foi questionado sobre seu extenso portfólio de investimentos, avaliado em mais de US$ 130 milhões, incluindo participações em mais de duas dezenas de empresas de criptomoedas, como Compound, dYdX, Lighter, Solana, Optimism, Blast e Zero Gravity.

Ex-membro do Fed entre 2006 e 2011, Warsh defendeu recentemente uma mudança de política focada em taxas de juros, em vez do afrouxamento quantitativo — política adotada após a crise de 2008 que, segundo críticos, contribuiu para a inflação.

Professor na Stanford Graduate School of Business, Warsh é visto com otimismo pelo setor de criptomoedas. O empresário Michael Saylor, defensor do Bitcoin, já havia elogiado sua nomeação.

Fonte: DL News