Dois senadores democratas dos Estados Unidos, Elizabeth Warren e Ron Wyden, enviaram uma carta ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, exigindo esclarecimentos sobre um empréstimo de Tether — a maior emissora de stablecoins do mundo — a um fundo beneficente de seus quatro filhos.
A operação ocorreu em outubro de 2024, mesmo mês em que Lutnick vendeu sua participação bilionária na Cantor Fitzgerald, empresa de serviços financeiros da qual foi CEO por décadas. Segundo a Bloomberg, o fundo que tomou o empréstimo detém mais da metade das ações da Cantor, e o crédito foi garantido por "todos os ativos" do patrimônio familiar.
Na carta, datada de 29 de abril, os senadores questionam se a Tether teria financiado a venda das ações de Lutnick e, em troca, garantido acesso aos ativos de seus filhos. "Se os relatos sobre esse empréstimo forem verdadeiros, isso levantaria sérias dúvidas sobre seu relacionamento com a Tether e a influência da empresa em suas decisões políticas", escreveram.
Os parlamentares também pediram detalhes sobre o papel de Lutnick na negociação do empréstimo, seu valor, termos e eventuais contatos com executivos da Tether desde que assumiu o cargo no governo.
Até o momento, nem a Tether nem o Departamento de Comércio dos EUA responderam aos pedidos de comentário da DL News.
Conexões entre Lutnick, Tether e Cantor Fitzgerald
Lutnick tem um histórico de longa data com a Tether. Além de ter sido CEO da Cantor Fitzgerald — empresa que gerencia bilhões em títulos do Tesouro dos EUA que lastreiam a stablecoin USDT —, ele já a defendeu publicamente. Em janeiro de 2024, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmou: "Há uma empresa que eu gosto chamada Tether. Pelo que vimos e analisamos, eles têm o dinheiro que dizem ter".
Em fevereiro de 2025, ao assumir o cargo de secretário de Comércio, Lutnick se comprometeu a se desfazer de suas ações na Cantor. A venda foi concluída em outubro do mesmo ano, coincidindo com o empréstimo da Tether ao fundo de seus filhos.
Conflito de interesses e pressão política
Os democratas vêm usando o tema das criptomoedas como arma política contra aliados do presidente Donald Trump, muitos dos quais têm laços com o setor. Eles argumentam que esses vínculos geram conflitos de interesse e têm levantado o tema em praticamente todas as audiências sobre regulação de cripto desde o início do segundo mandato de Trump.
A situação de Lutnick reforça essas críticas, especialmente por envolver uma das maiores stablecoins do mercado e uma transação que pode ter impactado diretamente a estrutura de propriedade da Cantor Fitzgerald.