Autoridades federais dos Estados Unidos acusaram, nesta quinta-feira (15), o sargento-mestre Gannon Ken Van Dyke, integrante das Forças Especiais do Exército norte-americano, de usar informações sigilosas para lucrar com apostas sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.

Van Dyke, de 38 anos, teria participado do planejamento e execução da Operação Resolução Absoluta, destinada à remoção de Maduro do poder. Segundo a denúncia, ele utilizou conhecimento privilegiado da operação para apostar em mercados de previsão, como a Polymarket, acumulando mais de US$ 404 mil em lucros ilícitos.

A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador, entrou com uma ação civil pedindo penalidades, devolução dos lucros e a proibição de Van Dyke de operar novamente em mercados regulamentados.

O Departamento de Justiça (DOJ) também o acusou de três violações da Lei de Bolsas de Commodities, uma de fraude eletrônica e uma de transação monetária ilegal.

Acusações e consequências

“O acusado teria violado a confiança depositada nele pelo governo dos EUA ao usar informações sigilosas de uma operação militar sensível para apostar no resultado e no timing da própria ação, visando obter lucro”, declarou o procurador-geral Jay Clayton, do Distrito Sul de Nova York. “Isso configura insider trading, que é ilegal segundo a legislação federal.”

Reação da Polymarket e defesa da CFTC

A Polymarket, plataforma de apostas em eventos futuros que tem enfrentado críticas por supostos casos de insider trading, comemorou a decisão nas redes sociais. “O insider trading não tem lugar na Polymarket. A prisão de hoje prova que o sistema funciona”, afirmou a empresa.

A plataforma permite apostas em diversos eventos, como resultados esportivos, decisões do Federal Reserve ou declarações de CEOs de grandes empresas. Em dezembro e janeiro, foram oferecidos quatro contratos relacionados à Venezuela e à queda de Maduro.

Sob o pseudônimo “Burdensome-Mix”, Van Dyke teria apostado cerca de US$ 33 mil nesses contratos, lucrando com a remoção de Maduro em 3 de janeiro.

O comissário da CFTC, Michael Selig, também elogiou a ação. Ele tem sido alvo de críticas por não ter adotado uma postura mais rígida contra supostos casos de insider trading em mercados de previsão neste ano. Selig negou as acusações publicamente.

“Deixei claro: quem praticar insider trading em nossos mercados enfrentará toda a força da lei”, afirmou Selig na sexta-feira (16).
Fonte: DL News