A indústria de robotaxis enfrenta um desafio invisível, mas determinante: a escalabilidade. Enquanto o futuro dos carros autônomos empolga o mercado, dois veteranos da mobilidade perceberam que os custos operacionais estão sufocando a lucratividade do setor.

George Kalligeros, engenheiro formado pela Tesla e ex-profissional da indústria automotiva grega, e Dan Keene, estrategista britânico de negócios, já haviam superado um desafio semelhante com a Pushme Bikes, startup londrina especializada em redes de troca de baterias para e-scooters e e-bicicletas compartilhadas. A empresa levantou US$ 600 milhões antes de ser adquirida pela alemã Tier Mobility em 2020, operando atualmente em 5 mil locais distribuídos por 40 cidades ao redor do mundo.

Agora, eles aplicam essa expertise ao setor de veículos autônomos. Ao observar que as metas de expansão das frotas autônomas superavam sua capacidade de geração de receita, Kalligeros e Keene desenvolveram uma solução para reestruturar as operações: uma rede conectada de estações de serviço automatizadas e localizadas. Essa inovação é o coração da Aseon Labs, startup de Redwood City, Califórnia, apoiada pela Y Combinator e apresentada publicamente hoje.

O problema dos custos operacionais

Segundo Kalligeros, os veículos autônomos atualmente não são economicamente viáveis. “Eu acompanho os carros autônomos há anos e sou um grande defensor de seu potencial transformador, desde que a economia faça sentido”, afirmou à Fast Company. “Hoje, eles não são rentáveis. As empresas estão queimando US$ 2 bilhões ou US$ 3 bilhões por ano. O modelo atual não é escalável.”

O cenário atual é preocupante. Operadoras como a Waymo já atuam em cidades como San Francisco, Phoenix, Los Angeles, Austin, Atlanta e Miami, com planos de expansão para mais 20 municípios. Até 2035, a Goldman Sachs projeta um mercado doméstico de US$ 48 bilhões nos EUA, com a frota de robotaxis crescendo de 3 mil para 3 milhões de veículos. Globalmente, o mercado pode atingir US$ 415 bilhões, com a frota expandindo de 7 mil para 6 milhões de unidades.

No entanto, os custos operacionais representam um obstáculo intransponível. Kalligeros destaca que as frotas autônomas percorrem até 44% dos quilômetros vazios, enquanto um terço dos veículos permanece offline a qualquer momento. Diariamente, os carros precisam se deslocar para depósitos centralizados — localizados a 10 ou 15 milhas de distância — para recarga, limpeza e inspeção, ficando fora de operação por quase duas horas a cada viagem. A maior parte da receita gerada pelos passeios é consumida com recarga, manutenção e outros custos, como seguros e teleoperação.

A solução: estações de serviço autônomas e descentralizadas

A Aseon Labs propõe uma alternativa radical: uma rede de estações de serviço automatizadas, projetadas para operar dentro das próprias zonas de frota. Esses pods — unidades compactas que cabem em um único espaço de estacionamento — são capazes de recarregar, inspecionar e limpar os veículos de forma autônoma, integrando-se a redes de carregamento já existentes.

Uma das principais vantagens é a eliminação do deslocamento para depósitos centralizados, reduzindo custos e tempo de inatividade. Segundo a empresa, a solução pode diminuir os custos de manutenção em 50% e o tempo de inatividade em 65%, além de aumentar a receita por veículo em mais de US$ 50 mil anuais.

Além disso, a implementação rápida — os pods podem ser instalados em um dia — permite sua distribuição em estacionamentos, postos de gasolina, edifícios comerciais, infraestrutura rodoviária e hubs de carregamento. Isso também representa uma oportunidade para os proprietários desses locais, que passam a gerar receita contínua com o uso constante das estações.

O futuro da mobilidade autônoma

Para Kalligeros, a viabilidade econômica é a chave para o sucesso dos veículos autônomos. “A tecnologia já existe, mas o modelo de negócios precisa mudar”, afirmou. “Precisamos criar uma infraestrutura que permita escalar sem esgotar os recursos.”

A Aseon Labs surge como uma resposta a esse desafio, oferecendo uma solução que não apenas reduz custos, mas também acelera a adoção em massa dos robotaxis. Com o apoio da Y Combinator e uma proposta clara de transformar a operação de frotas autônomas, a startup pode ser o elo que faltava para tornar o futuro da mobilidade não apenas possível, mas também lucrativo.