Mudança de postura: de crítico a defensor do Bitcoin
O almirante Samuel Paparo, chefe do Comando Indo-Pacífico dos EUA (INDOPACOM), surpreendeu ao revelar que a instituição opera um nó da rede Bitcoin e considera a tecnologia relevante para a segurança cibernética e projeção de poder militar. A declaração foi feita durante audiência no Senado em 21 de abril, como parte da revisão orçamentária para o ano fiscal de 2027.
Em fevereiro de 2024, Paparo havia dito à senadora Elizabeth Warren que a opacidade das criptomoedas facilitava atividades ilícitas como terrorismo e tráfico. Na ocasião, ele afirmou que o setor "tornava o mundo menos seguro", embora reconhecesse o potencial da blockchain para transações financeiras seguras.
Do 'patógeno' ao 'protocolo': evolução rápida na política de segurança
Em apenas dois anos, a retórica oficial mudou drasticamente. O que antes era visto como um problema de conformidade e uma ferramenta de evasão de sanções — inclusive para a Coreia do Norte — agora é tratado como infraestrutura crítica.
Essa transformação reflete mudanças profundas na política de segurança digital dos EUA, alinhadas ao trabalho de Jason Lowery, autor do livro SoftWar e membro da Força Espacial americana. Lowery argumenta que o mecanismo de Prova de Trabalho (PoW) do Bitcoin pode revolucionar estratégias de defesa nacional, atuando como dissuasor de ameaças cibernéticas.
Marco regulatório: a virada da Casa Branca
A política atual começou a tomar forma em janeiro de 2025, quando a Casa Branca estabeleceu como diretriz proteger o acesso a redes blockchain públicas e promover stablecoins lastreadas em dólar globalmente. Essa decisão separou as blockchains abertas de outras criptomoedas, classificando-as como infraestrutura essencial.
- 23 de janeiro de 2025: A Casa Branca declarou como política oficial a proteção de blockchains públicas e o estímulo a stablecoins.
- 6 de março de 2025: Foi criado o Reserva Estratégica de Bitcoin, com a moeda tratada como ativo soberano, semelhante ao ouro.
- 18 de julho de 2025: Aprovado o GENIUS Act, que vinculou regulação de stablecoins ao status do dólar como moeda de reserva global.
- Abril de 2026: O Departamento do Tesouro propôs regras para implementar requisitos de combate à lavagem de dinheiro (AML) e lançou iniciativa de compartilhamento de informações cibernéticas para empresas de ativos digitais.
Bitcoin como ferramenta de segurança nacional
O depoimento de Paparo em 2026 faz parte de uma estratégia mais ampla do INDOPACOM, que busca negar objetivos chineses, alcançar superioridade informacional e implementar uma arquitetura de confiança zero centrada em dados em sua rede de parceiros.
"A blockchain do Bitcoin oferece resiliência e transparência que podem ser fundamentais para operações militares em ambientes contestados." — Almirante Samuel Paparo, INDOPACOM
Teoria do 'Ouro Digital' e futuro do Bitcoin
Lowery, autor de SoftWar, prevê que o Bitcoin pode atingir US$ 1 milhão até 2030, impulsionado não apenas por forças de mercado, mas por novos paradigmas computacionais. Sua Teoria do Ouro Digital sugere que o valor da moeda será redefinido pela capacidade de processamento global e pela adoção de tecnologias blockchain em setores estratégicos.
Para especialistas, a adoção do Bitcoin pelo INDOPACOM sinaliza uma nova era na segurança cibernética militar, onde a descentralização e a imutabilidade da blockchain são vistas como vantagens estratégicas em um cenário de crescente competição geopolítica.