Um tiroteio durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA), no sábado (17), levou agentes do Serviço Secreto a evacuar o ex-presidente Donald Trump do salão do hotel Washington Hilton, em Washington. O incidente reforça uma tendência preocupante: nenhum outro presidente moderno enfrentou tantas ameaças diretas em tão pouco tempo.
O episódio mais recente se soma a uma série de tentativas de assassinato, conspirações e falhas de segurança que acompanham Trump desde sua primeira campanha presidencial. Entre os casos mais graves estão atiradores solitários em comícios, planos de assassinato patrocinados pelo governo iraniano e múltiplas violações de segurança em eventos públicos.
Detalhes do último ataque
Por volta das 20h30 (horário de Brasília), disparos foram registrados no Washington Hilton, onde Trump participava do jantar anual da WHCA. O ex-presidente estava programado para discursar, e o vice-presidente JD Vance, membros do gabinete e congressistas também estavam presentes.
Em entrevista à imprensa após o incidente, Trump afirmou:
‘Nos últimos anos, nossa república tem sido alvo de ataques de aspirantes a assassinos.’
Principais tentativas de assassinato
Trump já sobreviveu a duas tentativas de assassinato durante a campanha de 2024. Ambos os casos expuseram falhas graves no Serviço Secreto, levando a investigações e mudanças na liderança da agência.
- Butler, Pensilvânia (18 de julho de 2024): Thomas Matthew Crooks, 20 anos, disparou um fuzil estilo AR-15 durante um comício de Trump. A bala atingiu levemente a orelha direita do ex-presidente, matando um espectador. Crooks foi neutralizado por um atirador do Serviço Secreto. Um relatório do Senado posterior apontou falhas na segurança, comunicação e planejamento da agência.
- West Palm Beach, Flórida (2020): Ryan Wesley Routh foi flagrado com um rifle no Trump International Golf Club enquanto Trump jogava. Um agente do Serviço Secreto atirou contra Routh, que fugiu e foi preso. Ele cumpre prisão perpétua.
Outras ameaças e conspirações
Além das tentativas de assassinato, Trump enfrentou uma série de planos, ameaças e falhas de segurança ao longo dos anos:
- Junho de 2016: Um britânico de 20 anos tentou pegar a arma de um policial em um comício em Las Vegas e confessou aos agentes que pretendia matar Trump.
- Setembro de 2017: Um homem roubou uma empilhadeira na Dakota do Norte e a direcionou contra a comitiva presidencial, com a intenção de capotar a limusine de Trump.
- Setembro de 2020: Um cidadão franco-canadense enviou uma carta contendo ricina letal para Trump.
- Julho de 2024: Um paquistanês foi preso e condenado por participar de um plano de assassinato encomendado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã para matar Trump. Meses depois, outro iraniano, acusado de tentar matar um cidadão dos EUA, declarou ter recebido ordens para assassinar Trump também.
- Fevereiro de 2026: O Serviço Secreto matou um homem de 21 anos que portava uma espingarda e um recipiente de gás lacrimogêneo em Mar-a-Lago, enquanto Trump estava em Washington.
Reação e postura de Trump
Apesar do crescente número de ameaças, Trump afirmou não ter intenção de reduzir suas aparições públicas. Em coletiva, declarou:
‘Não vamos deixar ninguém tomar conta da nossa sociedade. Não vamos cancelar eventos por medo.’
O ex-presidente destacou que a segurança deve ser aprimorada, mas reafirmou seu compromisso com a agenda política, mesmo diante dos riscos.