A MicroStrategy, maior empresa do mundo em posse de Bitcoin, viu suas ações dispararem mais de 50% em apenas um mês. O movimento acompanha a valorização da principal criptomoeda do mercado, que superou a marca de US$ 80 mil. A alta reflete o retorno de investidores institucionais e a cobertura de posições vendidas, além de um forte fluxo de capital para o setor.
Na segunda-feira, as ações da MicroStrategy (MSTR) subiram mais 4%, alcançando quase US$ 184 por ação, após um avanço de 7% na sexta-feira. Negociações após o fechamento do mercado indicam que o preço pode ter subido mais 2% antes do balanço do primeiro trimestre, divulgado na terça-feira.
O rally ocorre em meio a uma demanda institucional renovada. Segundo dados da DefiLlama, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin registraram entrada de US$ 827 milhões nos dois primeiros dias de maio, estendendo uma sequência de dois meses de alta. Além disso, mais de US$ 200 milhões em posições vendidas foram liquidados em um único dia, impulsionando ainda mais o movimento.
As ações da MicroStrategy são vistas como um investimento alavancado em Bitcoin, já que o preço de suas ações acompanha de perto a cotação da criptomoeda. Segundo Jake Kennis, analista sênior de pesquisa da Nansen, a alta do Bitcoin acima de US$ 80 mil é sustentável.
"Com US$ 2,4 bilhões em juros em aberto e um volume diário de US$ 3,4 bilhões em contratos perpétuos, os derivativos desempenham um papel significativo na descoberta de preços neste nível. A taxa de financiamento moderada e a relação equilibrada entre compras e vendas não indicam um acúmulo excessivo de alavancagem que pudesse sugerir uma grande correção."
Balanço do primeiro trimestre
Todos os olhos agora se voltam para os resultados financeiros da MicroStrategy referentes ao primeiro trimestre. Analistas esperam uma receita de cerca de US$ 125 milhões, acima dos US$ 115 milhões registrados no mesmo período do ano passado. No entanto, o resultado contábil deve refletir perdas relacionadas às flutuações do preço do Bitcoin e aos custos de financiamento. Os investidores, porém, estão mais atentos ao modelo de negócios que a empresa construiu do que propriamente ao balanço.
A MicroStrategy se transformou de uma empresa de software com uma posição em Bitcoin em uma máquina de financiamento projetada para converter a demanda do mercado em exposição à criptomoeda. O principal impulsionador desse modelo é o STRC — ações preferenciais lastreadas em Bitcoin, que pagam um dividendo variável de cerca de 11,5% ao ano. Em menos de nove meses, o instrumento atingiu US$ 8,5 bilhões em valor nocional.
"O mercado de crédito global, avaliado em US$ 300 trilhões, é uma oportunidade muito maior do que o mercado de Bitcoin, de aproximadamente US$ 2 trilhões. A MicroStrategy construiu o primeiro produto a conectar os dois."
Michael Saylor, fundador e presidente-executivo da empresa, declarou durante a conferência Bitcoin 2026, em Las Vegas.
O ETF iShares Preferred Income Securities, da BlackRock, já possui uma posição de US$ 210 milhões no STRC. Segundo Saylor, o instrumento financiou a aquisição de cerca de 77 mil Bitcoins neste ano — dez vezes o fluxo líquido de todos os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA no mesmo período.
"O STRC é uma bateria que armazena ganhos em Bitcoin e os distribui ao longo do tempo."
Phong Le, CEO da MicroStrategy, afirmou.
A empresa interrompeu temporariamente suas compras de Bitcoin antes do balanço do primeiro trimestre — apenas a segunda pausa neste ano, segundo Saylor. A última aquisição registrada foi de 3.273 Bitcoins, com preço médio de cerca de US$ 77.900.