O comediante Bill Maher não poupou críticas ao novo biopic de Michael Jackson, intitulado Michael, acusando o filme de evitar as alegações de abuso sexual que cercaram o cantor ao longo de sua vida.
Durante o programa Real Time With Bill Maher, exibido na sexta-feira (12), Maher mencionou o longa-metragem dirigido por Antoine Fuqua pela primeira vez no encerramento de seu monólogo. Ele ironizou o horário de estreia do filme, que seria exibido às 19h, 21h e 23h, dizendo:
"Exibições às 19h, 21h e 23h — como as vítimas."
Maher voltou a atacar o filme durante o segmento New Rules, no qual afirmou:
"Nova regra: se você reclama do Dia de Colombo por ignorar que ele matou índios, e reclama do Dia dos Presidentes por ignorar que Washington tinha escravos, então você não pode ir feliz assistir a um filme em que Michael Jackson não dorme com crianças — que é o filme que está em cartaz agora, onde só ouvimos sobre as coisas divertidas que Michael fazia."
O comediante ainda brincou:
"Ele está passando em double feature com 'Jeffrey Epstein: Superanfitrião Extraordinário' e 'John Wayne Gacy: Obrigado pela Risada'."
Maher não parou por aí. Durante comentários sobre produtos alimentícios, ele comparou a sensação de consumir alimentos como ervilhas doces, mini batatas fritas e cenouras baby a algo que o fizesse se sentir como se estivesse "flertando com estupro estatutário".
"O que há de errado com ervilhas doces superpequenas, mini batatas fritas, cenouras baby e azeite extra virgem? Putz, se eu quisesse me sentir tão pervertido, eu iria assistir ao filme do Michael Jackson."
As críticas de Maher vieram após o diretor, elenco e a família Jackson terem se manifestado em defesa do longa. O diretor Antoine Fuqua revelou à The New Yorker que inicialmente planejava abordar a prisão de Jackson em 2003, chegando a gravar cenas em que o cantor era tratado como um "monstro". No entanto, um acordo judicial entre a família Jackson e a família Chandler — que acusou o cantor de abuso sexual contra seu filho de 13 anos — impediu essa abordagem. O acordo de US$ 23 milhões proibia a família Jackson de participar de representações de eventos ligados às acusações.
Os atores Colman Domingo e Nia Long, que interpretam o patriarca e a matriarca da família Jackson, respectivamente, explicaram em entrevista ao programa Today por que o filme não abordou as acusações.
"O filme abrange dos anos 1960 a 1988. Não entramos nas primeiras acusações, de 2005. Basicamente, nos concentramos em quem Michael era... é um retrato íntimo de quem ele é, pelos olhos dele."
Após o lançamento, o filme recebeu críticas negativas de muitos espectadores e críticos. Em resposta, os sobrinhos de Jackson, TJ e Taj Jackson, defenderam a produção. Enquanto TJ afirmou que o cantor e seus fãs mereciam esse filme, Taj criticou a mídia por tentar "controlar a narrativa" sobre quem Jackson realmente era.
Jackson enfrentou dez acusações em 2005 relacionadas a suposto abuso sexual contra um menino de 13 anos, que não era Jordan Chandler.