Fed mantém juros e mantém pressão sobre Bitcoin

O Bitcoin (BTC) não conseguiu romper a resistência dos US$ 80 mil após a decisão do Federal Reserve, que manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%. A postura do Fed, aliada à alta do petróleo e às divisões internas entre os membros do comitê, reduziu as expectativas de cortes de juros, mantendo o cenário macroeconômico desfavorável para a criptomoeda.

Inflação e petróleo: os principais fatores

O presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que a inflação continua elevada, com o PCE total em 3,5% até março e o core PCE em 3,2%. Além disso, a tensão no Oriente Médio e a alta nos preços do petróleo — com o barril de Brent atingindo US$ 103 em março e projetado para chegar a US$ 115 no segundo trimestre — pressionam ainda mais a inflação.

Powell afirmou que o banco central não pode controlar choques externos, como o preço do petróleo, mas deve garantir que a alta dos custos energéticos não se traduza em pressões inflacionárias mais duradouras. No entanto, a divisão interna no Fed — com oito membros favoráveis à manutenção dos juros e três defendendo cortes — expôs a dificuldade de uma virada dovish no curto prazo.

Divisão no Fed e expectativas para 2024

A decisão do Fed foi a mais dividida desde 1992, com três membros (Hammack, Kashkari e Logan) rejeitando até mesmo a manutenção de uma postura de flexibilização na declaração oficial. Enquanto isso, os mercados futuros passaram a precificar uma probabilidade menor de cortes de juros ainda em 2024, com algumas apostas em alta nos próximos doze meses.

Apesar disso, as projeções econômicas do Fed ainda indicam uma taxa de juros mediana de 3,4% em 2026, sugerindo um corte ainda este ano. No entanto, a combinação de inflação persistente e incertezas geopolíticas torna esse cenário menos provável.

Bitcoin enfrenta barreira de US$ 80 mil

Segundo a Glassnode, o Bitcoin enfrenta uma forte resistência na faixa entre US$ 78 mil e US$ 80 mil, onde se concentram tanto o True Market Mean quanto o custo médio dos detentores de curto prazo (STH). A criptomoeda, atualmente negociada próxima a US$ 75,9 mil, já testou e rejeitou essa zona, configurando um padrão típico de rally de baixa.

Nesse padrão, o preço sobe até o ponto de equilíbrio dos investidores recentes, que então distribuem seus ativos durante a alta. Como a demanda não consegue absorver toda a oferta nesse nível, o preço recua, mantendo o Bitcoin preso abaixo da resistência.

Cenário macroeconômico desafiador

Com a inflação sendo impulsionada tanto pelos preços de energia quanto pelos efeitos de tarifas sobre bens, o Fed enfrenta dificuldades para justificar cortes de juros. Powell destacou que as expectativas de inflação de curto prazo já estão em alta, o que limita a margem de manobra do banco central.

Para o Bitcoin, isso significa um ambiente macroeconômico menos favorável, com menor liquidez e maior aversão ao risco. Enquanto a criptomoeda não conseguir romper a barreira dos US$ 80 mil, o cenário de alta segue limitado, pelo menos no curto prazo.