A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, alcançou um marco histórico no primeiro trimestre de 2026 ao faturar US$ 42 milhões com suas operações de ativos digitais, incluindo ETFs de criptomoedas. Os valores incluem taxas de consultoria, administração e empréstimo de títulos, consolidando o segmento como uma nova fonte de receita para a gigante financeira.
Receita modesta, mas significativa
Em comparação com o faturamento total da empresa, a receita de US$ 42 milhões representa uma fatia pequena. O complexo de ETFs da BlackRock, sozinho, gerou mais de US$ 2,4 bilhões no mesmo período. No entanto, os ativos digitais — que totalizaram US$ 60,7 bilhões dos US$ 5,48 trilhões sob gestão — representam apenas 1,11% do total. Já nas taxas, a participação sobe para 1,75%.
Essa diferença evidencia que os produtos de criptomoedas operam com taxas mais elevadas em comparação ao restante do portfólio da BlackRock. Enquanto o complexo de ETFs cobra cerca de 17,2 pontos-base anuais, os ativos digitais atingem 24,8 pontos-base, segundo dados da gestora.
Dependência dos preços de Bitcoin e Ethereum
O desempenho financeiro do segmento de ativos digitais da BlackRock mostrou-se altamente volátil no primeiro trimestre. A empresa registrou um movimento negativo de quase US$ 18,7 bilhões no valor de mercado da categoria, reduzindo os ativos sob gestão de US$ 78,4 bilhões (final de 2025) para US$ 60,6 bilhões em 31 de março de 2026.
Essa volatilidade reforça a tese de que a receita do segmento depende diretamente dos preços de Bitcoin e Ethereum. O ETF IBIT, principal produto de Bitcoin da BlackRock, por exemplo, tem sua arrecadação de taxas atrelada ao valor do ativo. Com US$ 61,7 bilhões em ativos líquidos e uma taxa de 0,25%, o IBIT poderia gerar anualmente cerca de US$ 152,9 milhões em receita com taxas — mas a BlackRock não divulga dados por produto.
Principais produtos de criptomoedas da BlackRock
- IBIT (Bitcoin): ~US$ 61,7 bilhões em ativos líquidos; taxa de 0,25%; principal produto do segmento.
- ETHA (Ethereum): US$ 7 bilhões em ativos líquidos; taxa de 0,25%; exposição direta ao Ethereum.
- ETHB (Ethereum com staking): US$ 594,5 milhões em ativos líquidos; produto com staking e recompensas adicionais.
Juntos, os três ETFs somam cerca de US$ 68,8 bilhões em ativos, representando 13,4% acima do valor registrado em 31 de março para o segmento de ativos digitais.
Desafios e perspectivas para o futuro
Apesar do recorde de US$ 132 bilhões em entradas líquidas nos ETFs da BlackRock no primeiro trimestre — o dobro em relação ao ano anterior —, a receita com criptomoedas ainda é modesta. A dependência dos preços dos ativos continua sendo um fator de risco, uma vez que as entradas líquidas representaram apenas 0,71% do total de fluxos nos ETFs da empresa.
Até que os ativos digitais cresçam o suficiente para compensar as flutuações de preço, a receita da BlackRock nesse segmento permanecerá volátil e diretamente ligada ao desempenho de Bitcoin e Ethereum. Enquanto isso, o IBIT segue como o ETF de Bitcoin mais negociado nos EUA desde seu lançamento, consolidando a posição da BlackRock como líder no mercado de criptoativos.