Quando o desafio é criar cenários para um musical estrelado por vampiros voadores, é preciso pensar além do convencional. Dane Laffrey, vencedor do Tony e um dos mais renomados designers de cena da Broadway, está acostumado a superar limites. Com décadas de carreira, ele já assinou produções memoráveis, como o revival de Once on This Island (2017), com seu arquipélago caribenho de 360 graus, e Maybe Happy Ending (2024), ambientado na futurista Coreia do Sul.

Agora, Laffrey leva sua criatividade a outro patamar em The Lost Boys, musical baseado no filme cult dos anos 80 sobre adolescentes imortais que aterrorizam uma cidade litorânea da Califórnia. Desde sua estreia no Palace Theatre, a produção tem chamado atenção não só pela história, mas pelos cenários que literalmente voam — e afundam — em um espetáculo dinâmico e acrobático.

O desafio era enorme: o musical exige a representação de múltiplos locais, como um fliperama decadente, uma calçada de madeira abandonada, uma pista de dança afundada, uma ponte ferroviária imponente e um covil subterrâneo pós-industrial, onde os vampiros caçam suas vítimas — inclusive com um elevador funcional. Em um dos maiores teatros da Broadway, Laffrey conseguiu transformar o palco em todos esses ambientes, alternando entre níveis elevados para cenas de ação e espaços vazios para sequências aéreas.

O resultado é uma experiência intensa e difícil de descrever, exatamente como o designer pretendia. “Queríamos que o público não percebesse os limites do espaço”, explica Laffrey em entrevista à Fast Company. “Que não soubessem onde começa o teatro e onde termina o cenário, ou quão grande é tudo aquilo.”

Para Laffrey, o cenário não é apenas um pano de fundo, mas um personagem central da história. A casa rústica onde a família Emerson chega fugindo de um pai abusivo, por exemplo, simboliza o desejo de pertencimento e lar que permeia toda a trama. Com múltiplos níveis, cômodos e mecanismos complexos, a casa precisava ser versátil o suficiente para cenas íntimas e confrontos intensos, incluindo caçadas a vampiros com efeitos especiais.

Mas havia um problema: depois de servir como ponto de partida, a casa precisava desaparecer rapidamente para dar lugar a outros cenários. “Precisávamos explodir para fora do teatro e adentrar a cidade de Santa”, revela o designer. A solução veio com estruturas modulares que se transformam em tempo real, criando a ilusão de um espaço sem fronteiras.

O resultado é uma produção que desafia a física e a percepção do público. Em um momento, os atores estão em uma sala fechada; no seguinte, estão em uma ponte suspensa ou voando sobre o palco. Tudo graças a um projeto que equilibra precisão técnica e criatividade, garantindo que cada mudança de cenário seja tão surpreendente quanto a história dos vampiros eternos.