A apenas alguns dias após a histórica missão da NASA ao redor da Lua e do retorno seguro de quatro astronautas ao Oceano Pacífico, a Casa Branca, por meio do Office of Management and Budget (OMB), divulgou sua proposta de orçamento para 2027. O plano prevê um corte de 23% no orçamento total da agência espacial, com redução de 47% nos recursos destinados à ciência — o que colocaria em risco metade de sua frota científica.

Esta não é a primeira vez que a administração Trump tenta impor cortes drásticos à NASA. No ano passado, uma proposta semelhante foi rejeitada pelo Congresso, sinalizando mais uma batalha política. Agora, a Planetary Society, organização fundada por Carl Sagan e liderada atualmente por Bill Nye, relançou sua campanha "Salve a Ciência da NASA" para combater os novos planos.

Segundo a entidade, se aprovado, o orçamento resultaria no cancelamento de até 53 missões científicas, no fechamento de milhares de postos de trabalho e na quebra de mais de uma dezena de parcerias internacionais. "Isso seria um evento de extinção para a ciência espacial", declarou a Planetary Society, ecoando críticas semelhantes às feitas no ano passado.

A organização destacou ainda que 84 missões da NASA estariam ameaçadas, incluindo projetos para explorar Plutão, Júpiter, as nuvens de Vênus e um futuro rover em Marte.

Reação do Congresso e defesas da NASA

No entanto, a proposta enfrenta forte resistência no Congresso. Na quinta-feira, o subcomitê de Comércio, Justiça e Ciência da Câmara, liderado por republicanos, rejeitou o plano da OMB e avançou com um orçamento de US$ 24,4 bilhões — uma redução leve em relação aos US$ 24,8 bilhões do ano anterior. Mesmo assim, o corte na verba científica (de US$ 7,3 bilhões para US$ 6 bilhões) ainda coloca em risco o portfólio de pesquisas da agência.

Durante uma audiência no Senado na semana passada, o administrador da NASA, Jared Isaacman, defendeu os cortes propostos, argumentando que a agência poderia operar com menos recursos, citando o programa Artemis como exemplo. Contudo, os legisladores não se convenceram. "Todos nesta sala sabem que, sem ciência espacial, não há exploração espacial", afirmou o senador Chris Van Hollen (D-MD), segundo o The Guardian. "Sem ciência espacial, não há novas descobertas planetárias. Sem ciência espacial, não há NASA."

Bill Nye, CEO da Planetary Society, classificou o orçamento como "ineficiente e um desperdício de tempo", repetindo a expressão usada em 2026: "Esse orçamento está morto ao chegar".

A batalha pelo orçamento da NASA já se desenha como um confronto semelhante ao do ano passado, com cientistas e políticos unidos contra os cortes propostos pela administração Trump.

Fonte: Futurism