Spielberg e a volta das janelas teatrais longas

Na última edição do CinemaCon, em Las Vegas, ninguém recebeu mais aplausos do que Steven Spielberg. O diretor lendário não apenas comemorou a decisão da Universal de estender o período de exclusividade nos cinemas de seus filmes para 45 dias a partir de 2027, como também fez um apelo por prazos ainda maiores.

“Isso reforça a reputação da Universal como uma empresa que apoia a melhor experiência possível no cinema. Mas hoje eu sou ganancioso: não ouviria 60, 90 ou 120 dias? Esses prazos precisam voltar!”

— Steven Spielberg, CinemaCon 2026

Da resistência à adesão: o que mudou em um ano

Há apenas 12 meses, a ideia de uma janela de 45 dias parecia improvável. No CinemaCon 2025, o CEO da Cinema United, Michael O’Leary, havia pedido que os estúdios adotassem esse padrão, mas a maioria relutou em assumir compromissos definitivos. Os donos de cinemas, por sua vez, reclamavam em privado da falta de tempo para recuperar investimentos em títulos fracos.

Kevin Wilson, chefe de distribuição doméstica da Amazon MGM, resumiu a preocupação na época: “Não queremos que um filme entre em cartaz e, após três finais de semana, já esteja fora das salas, enquanto aguarda o fim da janela. Precisamos encontrar um meio-termo que funcione para estúdios e exibidores.”

45 dias se tornam novo padrão

Em 2026, a história mudou. Todos os estúdios, não apenas a Universal, reafirmaram seu compromisso com janelas de pelo menos 45 dias. Donos de cinemas entrevistados pela TheWrap acreditam que essa decisão impulsionará a bilheteria em 2026 e 2027, mesmo com salas menores precisando ajustar suas programações para acomodar blockbusters e filmes familiares independentes.

Daniel Loria, vice-presidente e diretor editorial da The Boxoffice Company, destacou a importância da mudança: “As janelas não são mais um ponto de atrito. Isso representa um avanço significativo nas relações entre estúdios e exibidores.”

Amazon MGM mantém flexibilidade, mas aposta em sucesso nos cinemas

O maior sucesso de bilheteria da Amazon MGM até hoje, “Project Hail Mary”, ainda está em cartaz com US$ 285 milhões arrecadados nos EUA e segue em exibição por mais semanas. A janela exata para o filme ainda não foi definida, mas a empresa mantém a flexibilidade de ajustar os prazos por título.

Um executivo da Amazon MGM, que preferiu não se identificar, afirmou que a estratégia busca equilibrar os interesses dos cinemas e do streaming, sem comprometer a saúde das salas.

O que esperar para o futuro

  • Maior estabilidade nas bilheterias: Janelas mais longas incentivam investimentos em marketing e experiência nos cinemas.
  • Menor risco para títulos fracos: Estúdios terão mais tempo para recuperar custos antes de lançar filmes no home entertainment.
  • Pressão por prazos ainda maiores: Spielberg e outros defendem janelas de 60, 90 ou até 120 dias, mas a indústria ainda debate os limites ideais.

Com a adesão unânime em 2026, as janelas teatrais longas deixaram de ser uma exceção para se tornar a nova regra no cinema.

Fonte: The Wrap