Um professor que transformou paixão por robótica em lição de vida
Tom Burick sempre se considerou um construtor. Ao longo dos anos, projetou robôs, montou um trailer vintage e, recentemente, liderou um grupo de estudantes na criação de uma réplica em escala real de um computador histórico dos anos 1940. Burick é professor de tecnologia na PS Academy, escola localizada em Gilbert, Arizona, que atende estudantes com autismo e outras necessidades de aprendizagem especializadas.
No início do ano letivo de 2025–26, ele iniciou com seus alunos um projeto ambicioso: construir uma réplica funcional do ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), comemorando os 80 anos de sua criação. O ENIAC foi um dos primeiros computadores eletrônicos programáveis do mundo, cerca de mil vezes mais rápido que outras máquinas da época.
Da robótica ao ensino: uma virada inspiradora
Antes de se tornar professor, Burick foi dono de uma empresa de robótica por dez anos, nos anos 2000. No entanto, uma crise financeira o obrigou a fechar o negócio. Foi então que decidiu ingressar na área de educação.
"Tive pessoas incríveis que me ajudaram quando era jovem, dedicando tempo e recursos que mudaram completamente a trajetória da minha vida. Pensei: preciso retribuir."
A paixão por robótica começou na infância
Nascido em Latrobe, na Pensilvânia, Burick assistia ao seriado Lost in Space, que apresentava um robô protetor da família. "Ele era o melhor amigo do garoto, e eu fiquei fascinado. Lembro de pensar: quero isso na minha vida", conta. Essa admiração despertou seu interesse vitalício por robótica e tecnologia.
Na infância, ele construía robôs de brinquedo com qualquer material que encontrava. Na adolescência, começou a incorporar componentes eletrônicos. "No início do ensino médio, já fazia máquinas autônomas controladas por microprocessadores", explica. Aos 15 anos, criou um robô de combate a incêndios de 150 quilos, pelo qual recebeu prêmios do IEEE e outras organizações.
Burick continuou construindo robôs e buscou ajuda de universidades locais. Seu primeiro contato foi com um estudante da Carnegie Mellon University, que o convidou para visitar o campus. "Meus pais me levaram no fim de semana seguinte, e ele me mostrou o laboratório de robótica. Fiquei hipnotizado. Ele me deu livros didáticos, peças de metal, engrenagens e fios", recorda. Burick lia os livros página por página, repetindo até dominar o conteúdo. Para sanar dúvidas, entrou em contato com um instrutor de robótica do Saint Vincent College, em sua cidade natal, que permitiu que assistisse às aulas. "Essas pessoas mudaram minha vida", afirma.
O ensino como forma de retribuir
No final do ensino médio, Burick percebeu que a faculdade não seria o ambiente ideal para ele. "Era atraído pela resolução de problemas do mundo real, não por aulas estruturadas. Optei por seguir esse caminho", diz. Além disso, ele tem discalculia, condição que torna a matemática tradicional mais desafiadora. "Isso me impulsionou a desenvolver métodos alternativos de aprendizado."
Hoje, ele aplica essa abordagem prática no ensino, inspirando seus alunos a construir não apenas réplicas, mas também habilidades para a vida. O projeto do ENIAC não só comemora uma conquista histórica, mas também demonstra como a paixão por tecnologia pode transformar vidas — tanto de quem ensina quanto de quem aprende.