O paradoxo de Trump: medo interno, desprezo externo
Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, defende que um governante ideal deve ser temido, não necessariamente amado, desde que evite ser odiado. Donald Trump tentou seguir essa lógica nos Estados Unidos: é amado por poucos, temido por muitos e odiado por uma parcela significativa da população. Instituições, corporações e até partidos políticos se curvam às suas exigências, mesmo quando violam leis federais ou estaduais.
O Partido Republicano, por exemplo, abandonou suas próprias convicções para se alinhar a Trump, defendendo inverdades como classificar a invasão do Capitólio em 6 de janeiro como uma "protesto pacífico". Essa submissão não é opcional: discordar pode significar perder o cargo ou enfrentar processos judiciais movidos pelo Departamento de Justiça alinhado a ele.
O mundo ri de Trump: líderes estrangeiros o tratam como um 'palhaço'
No entanto, Trump não consegue replicar esse poder além das fronteiras americanas. Em países democráticos e desenvolvidos, ele é amplamente desprezado. Pesquisas recentes mostram que a maioria da população global prefere a liderança da China — mesmo com seu regime autoritário e genocida — à do governo dos EUA sob Trump.
Líderes estrangeiros não escondem o deboche. Em 2018, foi vazado que vários deles riam às escondidas de Trump durante reuniões. A percepção geral é de que ele é vaidoso, suscetível a bajulações e fácil de manipular. Essa imagem levou muitos governos a adotar uma abordagem estratégica, quase teatral, para lidar com suas demandas. Alguns chamam isso de "beijar o anel" ou "Gestão Trump 101".
O declínio da influência de Trump no exterior
Até aliados como a Rússia, que antes viam Trump como um "idiota útil", começam a questionar seu valor. Com as eleições de 2026 se aproximando, Moscou percebe que a capacidade de Trump de impor sua vontade será limitada por um Congresso possivelmente dominado pelos democratas. Em países onde ele já teve apoio, como a Hungria, suas tentativas de influenciar eleições — inclusive com JD Vance — fracassaram.
Enquanto isso, nações como o Canadá passaram a desafiar Trump abertamente. Em 2025, o primeiro-ministro canadense Mark Carney liderou seu partido a uma vitória surpreendente ao rejeitar Trump e prometer resistir a suas pressões. Pesquisas indicam que 55% dos canadenses consideram os EUA a maior ameaça à segurança nacional do Canadá — e mesmo assim não hesitam em confrontá-lo quando pressionados.
A OTAN, tradicionalmente um pilar da política externa americana, também perdeu a paciência com Trump. Sua abordagem errática e o desdém por alianças multilaterais minaram a credibilidade dos EUA no cenário internacional.
O custo da liderança de Trump para os EUA
O resultado é uma imagem global dos Estados Unidos cada vez mais associada à instabilidade e ao ridículo. Líderes estrangeiros não temem Trump; eles o ridicularizam. Países que antes dependiam da aliança com Washington agora buscam alternativas. A estratégia de "ser temido" funcionou dentro dos EUA, mas no palco mundial, Trump se tornou um alvo de zombaria — e o mundo está menos seguro por isso.