A decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou a Seção 2 da Lei do Direito ao Voto na semana passada, não surpreendeu os líderes democratas. Muitos já consideram a corte, liderada pelo presidente John Roberts, cada vez mais partidária.
A medida, no entanto, provocou um alerta no partido. Os democratas temem que uma geração inteira de líderes negros no Sul dos EUA — região onde vive a maioria da população negra do país — possa ser afastada do poder.
Após o choque inicial, veio a busca por uma resposta. Os democratas já planejam como retaliar as mudanças nos mapas eleitorais que os republicanos devem implementar em estados como Tennessee, Alabama, Carolina do Sul e Louisiana.
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries (D-N.Y.), indicou que estados como Nova York, Illinois, Maryland e Colorado podem ser alvos de redistritamento pelos democratas antes das eleições de 2028. Outros líderes do partido mencionaram ainda discussões sobre possíveis mudanças em Washington, Oregon, Minnesota e Nova Jersey.
"Haverá muitos estados democratas que precisarão agir para compensar o que os republicanos estão fazendo. É uma realidade matemática simples."— John Bisognano, presidente do Comitê Nacional de Redistritamento Democrata.
O redistritamento é apenas uma das formas como a decisão Callais deve transformar o cenário político. Operadores e legisladores ouvidos pela imprensa nesta semana afirmam que é cada vez mais provável que os democratas busquem outras estratégias para garantir representatividade, incluindo ações judiciais e mobilização eleitoral.
Enquanto isso, a reação dos democratas à decisão da Suprema Corte reforça a tensão crescente entre os partidos sobre o futuro do direito ao voto nos EUA. A disputa promete intensificar-se nos próximos anos, especialmente diante das eleições presidenciais de 2028.