O falecimento do deputado democrata David Scott, aos 80 anos, durante seu mandato no Congresso, reacendeu discussões internas no partido sobre a gerontocracia que domina a bancada. Scott, que buscava seu 13º mandato, enfrentava problemas de saúde desde 2022.

Sua morte, ocorrida na quarta-feira (20), eleva para onze o número de democratas que morreram no cargo desde 2020. O episódio ocorre um dia após a renúncia de outra deputada do partido, Sheila Cherfilus-McCormick, por acusações de corrupção.

Pressão por renovação na bancada

Um deputado anônimo, ouvido pela Axios, classificou a idade avançada como um problema de viabilidade política. Segundo a fonte, a permanência de parlamentares idosos prejudica a capacidade de atuação do partido em pautas urgentes.

“Eu não estarei aqui aos 80 anos, e não entendo por que os outros acham que devem estar. Pessoas normais vão continuar questionando isso... É um problema de viabilidade. Precisamos de todos os votos possíveis para barrar a guerra no Irã, proteger o direito ao voto ou fiscalizar o DHS. Quando perdemos um voto porque alguém renunciou por corrupção ou morreu, as pessoas deveriam se perguntar: você tem certeza de que é a única pessoa capaz de representar seu distrito?”

O depoimento reforça a pressão sobre colegas mais velhos, que agora enfrentam cobranças sobre suas candidaturas. “A morte do deputado Scott é devastadora para sua família, equipe e todos que ele inspirou”, afirmou David Hogg, ex-vice-presidente do Comitê Nacional Democrata e líder jovem do partido. “Mas também prejudica seus eleitores, que podem ficar meses sem representação, e a bancada democrata, que perde mais um voto.”

Resistência à renovação

Apesar das críticas, alguns parlamentares idosos mantêm postura firme. O deputado Emmanuel Cleaver, de 81 anos e candidato à reeleição, declarou à Axios: “Se você quer debater com Nancy Pelosi, Maxine Waters, Steny Hoyer ou Jim Clyburn — todos com mais de 85 anos — eu te convido a fazer isso e sofrer as consequências.”

Cleaver, ex-presidente da bancada negra do Congresso (CBC), representa a resistência à mudança. O grupo, composto por membros moderados e veteranos, enfrenta cobranças por renovação. Desde 2020, metade das 16 mortes de congressistas ocorreu entre integrantes da CBC, que representa apenas 11% da bancada.

“Pode soar grosseiro, mas das 16 mortes de deputados desde 2020, metade eram da bancada negra. É preciso discutir a transferência de poder para a próxima geração”, escreveu o usuário Andrew Damitio, de Washington, D.C., em rede social.

Futuro da bancada democrata

Com a maioria republicana no Congresso por uma margem estreita (218-212), a permanência de parlamentares idosos é vista como um risco estratégico. Um colega de partido, não identificado, afirmou que a morte de Scott “reforça a necessidade de cada membro avaliar se tem condições de cumprir mais dois anos com essa margem tão apertada”.

Enquanto isso, a discussão sobre idade e renovação ganha força, mas a resistência dos veteranos indica que o tema seguirá polarizado dentro do partido.